segunda-feira, 3 de novembro de 2014
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Porco na cena 45: Festival Transborda (BH)

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Após hiato de dois anos, o Transborda, festival realizado em Belo Horizonte, voltou aos holofotes mineiros. Promovido durante a semana final de outubro e início de novembro, a terceira edição do evento trouxe à tona uma série de palestras e oficinas, cujo mote central foi discutir o mercado artístico atual, suas inovações e as perspectivas de futuro, privilegiando, neste caso, a ótica independente. 

Como culminância, os organizadores (o Coletivo Pegada) trouxeram para o Spasso Escola Circo, reduto underground local, uma série de artistas iniciantes (das mais variadas localidades brasileiras) que, em sua maioria, nunca tocaram na cidade.  Durante dois dias, um curto, mas selecionado, line up deu o ar da graça expondo toda a diversidade sonora da cena musical brasileira atual, com bandas do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.  

Line up do 1º dia. Fonte: Divulgação     
A largada do festival fora dada na noite de sábado (1-11) com os potiguares do Red Boots. Apostando no formato mínimo, o duo executou de forma ensurdecedora a mistura de elementos do grunge com stoner rock. O repertório privilegiou o recém lançado Touch the Void (disco lançado pela inciativa do projeto Dosol), mas resgatou faixas de Aracnophilia. O público, desavisado da potência sonora, ficou boquiaberto tamanha a pungência da apresentação. 

Na sequência, os belo horizontinos da Câmera fizeram do palco um espaço para dicotomias. Indo de momentos silenciosos ao esporro sonoro, a banda debutou o repertório de Mountian Tops, 1º disco cheio, e excelente, lançado pelo selo Balaclava Records semana atrás. Faixas dos EPs Not tourist e Invsible Houses também deram o ar da graça, em performance inspirada e elétrica.

Já os goianos da Boogarins, que debutavam em BH, colheram os louros da recente premiação como artista revelação do Prêmio Multishow, já que uma parcela considerável dos presentes estavam ali para vê-los. O repertório, que girou em torno do elogiado As plantas que curam e algumas canções inéditas, fora executado de maneira explosiva, com números instrumentais gigantescos, embebidos em doses cavalares de dissonâncias, num autêntico revival do psicodelismo. Grande apresentação do promissor quarteto.

Fechando a primeira noite, os baianos da Maglore pareciam estar em casa. E realmente estavam. Amparado pelo receptivo público local, a apresentação teve como grande trunfo um público devoto que cantava, à plenos pulmões, todo set calcado nos discos Verox e Vamos pra rua. Aproveitando o ensejo, o trio debutou duas inéditas ("Mantra" e "Ai ai") que deveram figurar no novo rebento a ser lançado ano que vem.                                      
Line up do 2º dia. Fonte: Divulgação
Já no domingo (2-11) a carioca Mahmundi trouxe ao transborda a mescla de sons eletrônicos contemporâneos linkados a estética oitentista. Liderados por Marcela Vale (ex-Velho Irlandês), o trio esbanjou carisma em apresentação dançante. Ao final, o premiado hit "Calor do Amor" (presente em seu 1º disco Efeito das cores) contou a presença de dezenas de fãs no palco, coroando efervescente noite.

Para o fim, coube as gaúchos do Apanhador Só encerrarem os trabalhos do festival. Vivendo grande momento na carreira, a banda realizou apresentação histórica. Amparado pela ótima receptividade de Antes que tu conte outra, a apresentação teve como fio condutor o elogiado álbum, cujo repertório, quando executado, cresceu em timbres e energia em estado bruto. Em tom de resposta, o público foi ao delírio durante todo o show, em especial canções como "Despirocar" e "Mordido". O repertório ainda resgatou canções do debute que ganharam novos arranjos como em  "Maria Augusta", agora um autêntico hino carnavalesco. "Prédio" finalizou a memorável noite que reverberará por bastante tempo.   

Por fim, há de parabenizar o evento como um todo, pois tudo transcorreu de forma plena e admirável. A escolha por realizar uma edição enxuta, em local intimista e a preços simbólicos resultaram numa melhor visibilidade aos artistas e na presença  maciça do público. Para o ano que vem esperasse que o festival siga a sua louvável sina que é promover diálogos, reflexões e dar visibilidade ao vasto cenário musical brasileiro que segue em crescente constante.         

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