segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
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Mocha Lab - Cthulhu: The Funksical

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Gênero: Funk / Experimental / Art Rock
País: EUA
Ano: 2009

Comentário: Mocha Lab é apenas a ponta de um iceberg que constitui projetos musicais assinados por Paul Shapera, cuja temática de seus discos (a maioria) demonstra a sua grande dedicação à arte steampunk — e suas vertentes, como dieselpunk e atompunk, ambas estampadas como títulos — e claramente influenciado pelas obras "lovecraftianas", como bem explicita o título do presente disco. Mas, sabe-se lá como exatamente seriam músicas ideais para um mundo steampunk (dúvida que me vem como quando comparo o disco em questão à algumas músicas de Rasputina, por exemplo), Shapera, mais precisamente em seu projeto Mocha Lab, deixa claro à partir do "Cthulhu: The Funksical" que seu estilo cósmico é embebido, pra não dizer realmente tomado, em swing e um groove psicodélico de alta qualidade e criatividade, tornando-se muito original. São construções sonoras de resultado bastante agradável, principalmente pela pegada black, mesmo que a psicodelia e as experimentações não passem nem um pouco despercebidas e gerem eficaz estranheza.

Acredito que não seja o único a estranhar o disco pela primeira audição, até porque não é apenas os ouvidos que são instigados. A ideia em fundir o bom, velho e animado funk com o mundo medonho de Howard Phillips Lovecraft chega a soar jocoso num primeiro instante, e vamos combinar, assim continua ao longo das dezenas de reproduções de cada faixa. Mas os risos e estranhezas abrem brecha para a admiração e seriedade da obra, tamanho carisma que flui. Eu diria que é o "black no dark", se é que ficou clara a piada insossa.

O disco é conceitual, e ao decorrer trata de alguns seres místicos do universo criado por Lovecraft, mas da maneira quase inconciliável de Paul Shapera, cuja ligação ocorre principalmente durante as 8 primeiras faixas numeradas (numeradas propositalmente, portanto não é preguiça do autor deste post em editar as faixas), numa narrativa curta, em vozes otimizadas por vocoder (creio) e com entonações caricatas — na realidade bem dentro da proposta do funk. E o próprio compositor chega a chamar sua história de "ridícula".
Mas não se engane, não é um disco chato com "falatório desnecessário", pois você é facilmente levado pelos vários tentáculos musicais que aparecem durante o disco, ao mesmo tempo que não sentirá falta do Rock, um ser quase onipresente que na minha opinião pertence a espécie dos Grandes Antigos, ou seja, mesmo quando está em sua tumba, não é privado da capacidade de se comunicar.

Cthulhu: The Funksical é o álbum mais recente assinado como Mocha Lab, mas The Coffee Cellar, Subduction e Anamnesis valem a audição, além é claro de todo catálogo presente no BandCamp. Ainda como dica, visitem o site Site Lovecraft para baixar os e-books.


"Na sua casa em R'lyeh, Cthulhu morto espera sonhando. Se ligou, baby!?"



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