quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
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Os Melhores Discos de 2014 por Ariel

1 comentários

Apesar de em um primeiro momento pensar que 2014 foi um ano ruim de lançamentos, agora que chego tão arduamente a esta lista, vejo quão estava errada. Acredito que todo mundo deve ter ouvido pelo menos 15 álbuns de 2014, se não ouviu, tenho certeza que chegou perto! Eu devo ter ficado lá pelos 24 discos. E, como diria Bruno, "cada álbum deixado de fora foi uma lágrima". Sendo assim, eu tive de negligenciar alguns nomes veteranos em justiça aos discos que figuraram meu ano, daqueles que foram belos por natureza, porém e sobretudo, daqueles que me exortaram, seguraram minhas dores e me esvaíram os pesares.

15) Sleep Party People - Floating
Dream-Pop / Post-Rock

Já tinha uns três álbuns que Sleep Party People vinha tocando a mesma música em uma monotonia sonora sem tamanho. Sempre gostei da proposta de Brian Batz, mas na fórmula das músicas anteriores e com tantos discos a serem citados que acabaram ficando de fora, dificilmente Sleep Party People estaria nesta lista. No entanto, Floating é um marco para quem vem acompanhando o trabalho do grupo e, por isso, merecia ser mencionado! Este é um álbum mais denso, encorpado e com textura, de sonoridade quase palpável; em contraponto aos discos anteriores que foram tão fugazes. A doçura e onirismo das músicas permanecem, porém há o peso do vocal mais limpo e destacado de Batz. Floating é doce, contudo nem de longe chega a ser enjoativo!

Destaque para "Floating Blood Of Mine", faixa 2.

Ouça: Bandcamp


14) Aesthetic Perfection - 'Til Death
Industrial

Uma das coisas que sempre questionei em Aesthetic Perfection é essa dualidade do Daniel Graves em fazer músicas pops e grotescas que, se pensadas mais profundamente, são a essência do próprio projeto. Não é de hoje que Daniel vem trabalhando o contraste em suas músicas. Lembram de Inhuman e do branco se entrelaçando ao preto? Pois bem, o primeiro single de ‘Til Death e seu belíssimo (e bote belíssimo nisso) videoclipe, a faixa 2 “Antibody”, trouxe novamente essa característica, que já era uma dica do que poderíamos esperar de 'Til Death. E não deu outra: o disco todo é um misto de pop e dark, de leveza e densidade, de música de “boate” e música de “caverna”. A princípio, não é um disco fácil de digerir, quando você espera o peso do Industrial, e ainda é um tanto quanto “alegre”. Eu mesma levei umas ouvidas para gostar, porque, afinal, tenho uma estranha e inexplicável atração por músicas alegres!

Destaque para "Lights Out (Ready To Go)" e "The Dark Half", faixas 3 e 8 respectivamente.

Ouça: Spotify


13) Astari Nite - Stereo Waltz
Post-Punk / New Wave / Indie

Estes norte-americanos foram buscar na Darkwave a atmosfera única de Stereo Waltz, a qual é imperiosa e não há como não se envolver! Há também várias passagens sonoras que tonalizam as músicas como algo retrô, daquilo dançante que ficou perdido entre os anos 80 e 90 em bandas como Depeche Mode e, algumas vezes, New Order (os sintetizadores da faixa 5 “I.O. 1987”, por exemplo, mostram isso). Eu ainda posso jurar que tem algo "gaze" nele. Em suma, Stereo Waltz é um apanhado de sonoridades que oscilam entre oitentista, goth, indie, pós-punk, revival e tudo mais, em uma sensação de deja-vu sonoro, quando pensamos “Ei, eu já ouvi isso em algum lugar!”.

Destaque para "Astrid", faixa 2.

Ouça: Bandcamp


12) Winter Severity Index - Slanting Ray
Coldwave / Post-Punk

Muito embora a nível de pós-punk, em 80% dos casos, o cru é mais exaltado que as firulas, o caso de Slanting Ray é um pouco mais específico pela atmosfera presente no disco, que muito me lembra os synths/samples sombrios de Clan of Xymox e The Frozen Autumn (a faixa 6, "Fishblood", é um exemplo audível disso). É claro que a primeira coisa que me chamou atenção nesse disco foi a capa! E, convenhamos, que capa! Não só a imagem em si, mas as fotos promos de Slanting Ray também chamam atenção. Enfim, ressalto o visual pois ele personifica o sonoro. Este é um disco de samples, com vocais disformes e oníricos que merecem ser absorvidos em plenitude!

Destaque para "At Least the Snow", faixa 1.

Ouça: Bandcamp


11) Have A Nice Life - The Unnatural World
Shoegaze / Noise / Post-Punk

O mês de Janeiro trouxe um dos discos mais aguardados do ano, uma longa espera de seis anos, desde que o mundo conheceu o introspectivo Deathconsciousness. Um disco breve em relação ao álbum que o precede. Todavia, ao que parece, quem mergulha nas águas da introversão dificilmente emerge para uma atmosfera mais sociável ou compartilhada; sendo assim, The Unnatural World chegou para mim em uma viagem bem mais solitária e contextual que Deathconsciousness.

Destaque para "Defenestration Song", faixa 2.

Ouça: Bandcamp


10) Qntal - VII
Electro-Medieval / Ethereal

Sempre achei Electro-Medieval um termo perigoso, pois agrega bandas com as mesmas temáticas e, no entanto, na musicalidade são totalmente diferentes entre si. Por exemplo, Heimataerde é classificado como Electro-Medieval e é um projeto que fala de sangue e luta com fortes influências de Techno. Por outro lado Qntal é uma banda que vem sobrevivendo ao tempo com poesia e romantismo em uma levada sutil de batidas eletrônicas voltadas à Darkwave – até o mais pesado em VII é sofisticado e polido. Tudo em VII é delicado, desde os líricos vocais de Syrah até a combinação do instrumental perfeito que transformam a música de Qntal em um córrego lento e dançante, com uma pitada de música tradicional/experimental.

Destaque para Flaming Drake, faixa 1.

Ouça: Mega


09) Hexperos - Lost In A Great Sea
Neoclassical / Ethereal / Darkwave

Imersos a um instrumental composto por harpas, jogo de cordas, gaita de fole, flautas, violoncelo e percussão, além dos celestiais vocais femininos. Lost In A Great Sea é um recorte do trabalho de Hexperos, cujo duo (Alessandra Santovito e Francesco Forgione) é conhecido por falar de tempos passados; o próprio nome da banda é uma referência a Héspero, a primeira estrela a surgir ao anoitecer; segundo a mitologia grega, a estrela preferida de Afrodite. Isto em uma mistura suntuosa da sonoridade de Neoclassical, Neofolk, Ethereal, Darkwave e, de maneira bem evidente em Lost In A Great Sea, uma forte influência celta.

Destaque para "Lost In A Great Sea", faixa 2.

Ouça: Spotify


08) Heimataerde - Kaltwaerts
Medieval Electro

Heimataerde não apenas possui discos conceituais, o projeto do DJ Ash como um todo é conceitual. E a epopeia do templário desertor e vampiro Ashlar (personagem principal de Heimataerde) continua. Em Kaltwaerts, cuja tradução pode ser “No frio”, a trama se desenvolve pelo resgate de um frade da irmandade desertora de Ashlar – quem estava sendo perseguida no álbum Gottgleich, lançado em 2012. Frei Andreas é capturado pelo antagonista Zebaoth. Isto frente a densos sintetizadores, guitarras pesadas, percussão sampleada (no velho e tradicional Ethno/Tribal de Heimataerde) e a narração (vocal) de Ash.

Destaque para “Kaltwaerts” e "Die Wanderschaft", faixas 3 e 4 respectivamente.

Ouça: Spotify


07) Scofferlane - Rebellion
Post-Punk / Garage Rock

Invariavelmente três coisas chamam atenção logo de primeira em Rebellion: a primeira é a capa do disco, pode parecer besteira; contudo essa coisa meio faroeste meio Baphomet é de um bom gosto inefável para mim! A segunda são os vocais graves e fúnebres de Matt (mais conhecido como Stuart Stumpman); e em terceiro, mas principalmente, o instrumental. Rebellion começa com um rugir de tambores que se unem a uma extensão de baixo, distorção de guitarra e ritmando a intro, surge o sax; e assim em 1min já temos a base instrumental do disco inteiro: rápida e demente. Rebellion tem uma sonoridade bem peculiar que eu não consegui definir, porém bem sofisticada devido ao sax, e de uma maneira geral porque Scofferlane fez uma mistura suja e bem feita.

Destaque para "Distant Land", faixa 2.

Ouça: Bandcamp


06) The Moon & The Nightspirit - Holdrejtek
Pagan Folk / Ethereal

The Moon & The Nightspirit produz essas músicas que você sente de imediato os olhos encherem d’água de tão belas que são, um tornado de sensações nodosas que a única coisa que podemos fazer é deixar-nos levar. Pois não há como resistir aos doces vocais de Ágnes Tóth, aos seus absolutamente encantadores desenhos místicos que personificam o folclore húngaro cantado em suas músicas (que também são faladas em húngaro); tampouco é possível resistir ao instrumental baseado em cordas de Mihály Szabó e percussão, com o delicado violino emergente de Ágnes e seus solos divinos/melancólicos. Tudo em The Moon & The Nightspirit é minimamente belo e bem trabalhado!

Destaque para "Bolyongo", faixa 4.

Ouça: Bandcamp


05) Johnny Hollow - A Collection Of Creatures
Darkwave / Trip Hop

A Collection Of Creatures é o terceiro full-length dessa banda que mistura artes visuais e música, isto porque a banda surgiu a partir da criação do site My Pet Skeleton do artista/diretor/músico Vincent Marcone, quem chamou para elaborar a sonorização Janine White e Kitty Thompson; a ideia deu tão certo que Johnny Hollow apareceu. A sonoridade de A Collection Of Creatures é perigosa e praticamente indecifrável: de um lado mistura mistério e sedução em um (quase) Trip Hop pra lá de estranho e arrastado nos vocais de Janine e Vincent; do outro, literalmente declama historias sobre criaturinhas (sério?) de um submundo meio infantil que está à espreita em um jogo de samples, synths e violoncelos com a brincadeira circense de horror.

Destaque para "Devil's Night", faixa 5.

Ouça: Bandcamp


04) Centhron - Biest
EBM / Industrial

Em um cenário pós-apocalíptico – e, infelizmente, um péssimo gosto para capas de álbum –, Centhron não é tipo de banda que pede para entrar, chega logo metendo o pezão na porta e garante seu lugar entre os primeiros, à base de violência mesmo. Ano passado, tive uma verdadeira overdose de Centhron e seu disco “Asgard”, que em toda sua brutalidade figurou o primeiro lugar de meu top. Este ano, “Biest” chegou devastador e sequencial a “Asgard”, todavia em dose tardia e homeopática – o disco foi lançado dia 28/11. Brutal, raivoso, dançante, caótico e barulhento, sim... Se os demais três lançamentos não fossem tão demasiadamente bons, sem dúvida Centhron estaria no topo novamente!

Destaque para "Pornoqueen", faixa 6.

Ouça: Spotify


03) Ghost Actor - Unfold
Dark Ambient / Trip Hop


Unfold é o terceiro melhor disco lançado em 2014 para mim pela qualidade das músicas e da proposta, a qual é sonora e estética (os videoclipes estão intimamente ligados às músicas). Muito embora não tenha absorvido as músicas lançadas no EP intitulado Vile, também deste ano e cuja qualidade sonora é do mesmo patamar que o full-length (o que seria um adendo brilhante), Unfold é perfeito em toda sua brevidade! São 6 faixas, onde as 3 primeiras ("Margin", "Sparks" e "Forbbiden") são as primeiras gravações de Ghost Actor e as outras 3 são músicas inéditas.

Ainda hoje, lembro o buraco que tive quando terminei de ouvir pela primeira vez "Margin" com seus synths arrastados na batida longínqua de Trip Hop a la Massive Attack e os etéricos, reverberantes e disformes vocais de Corina. Esta sensação persiste por todo disco – seja pelo buraco, seja pela sugestão de Trip Hop estranho –, a atmosfera que a primeira faixa te leva é aquela que tu ficarás quando "Surrender" (última faixa) terminar. É lento, arrastado, intimista e surreal (sonoro e esteticamente).

Destaque para "Margin", faixa 1.

Ouça: Bandcamp


EBM / Industrial


Feindbild chegou lapidado pelo post do Forba (o qual você pode ler aqui) e ainda em um ano que meu lado EBM/Industrial agonizou de desgosto. De qualquer forma, Nachtmahr veio como um justiceiro em textura musical. Feindbild é um álbum que te pretende atenção do início ao fim, a cada batida cadenciada, sample e/ou ordem raivosa de Thomas Rainer. Por um considerável tempo, este foi indubitavelmente o primeiro lugar de meu pódio, todos os álbuns anteriores pareceram um simples marulhar em meio ao turbilhão que Feindbild é. Contudo, em Julho, meu atual primeiro lugar veio como um tsunami...

Destaque para "Parasit", faixa 6.

Ouça: Spotify

AND THE OSCAR GOES TO...

01) Empyrium - The Turn of The Tides
Neofolk / Dark Folk


Foram 12 anos de espera desde que “Weiland” foi lançado, que à época todos pensavam ser o auge. Contudo, quem imaginaria que Empyrium ressurgiria tão magnificamente em The Turn of The Tides como o fizeram? E, por mais estranho que a mim pareça, pois tudo depende do ponto vista, não foi um disco tão bem recebido assim. De qualquer forma, para mim e por mais pessoal que seja, este é o ápice!

The Turn of The Tides é breve; 7 faixas que imitam curiosamente o movimento das ondas: se elevam, atingem o ápice, quebram e puxam de volta ao mar. Logo, este é um álbum cíclico e, por isso, possui a sensação de renovação, sobretudo quando a última faixa (homônima ao disco) chega com a introdução em calmaria com os sons do mar. A mesma ode à natureza e à poesia de outrora, embebidos ainda de um instrumental baseado em percussão, cordas e violoncelos.

Por mais que seja justificável de várias maneiras este primeiro lugar – pela beleza das músicas, da artwork, da temática e/ou da excelência na alusão da volta das ondas à volta da banda –, invariavelmente o que mais justifica, por esta ser uma lista absolutamente pessoal, foi a sensação de que, a cada intempérie minha, retornar a The Turn of The Tides me faria sentir melhor, era o lugar onde eu deixava as dores e imergia de volta.

Destaque para "With The Current Into Grey", faixa 6.

Ouça: Spotify

One Response so far.

  1. Parabéns pelas escolhas. Top incrível, muitos eu desconhecia e fiquei maravilhada, aliás excelentes escolhas em todas as listas.

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