quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
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Os melhores discos de 2014 por Bruno Lisboa

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100 discos. Este foi o número exato de álbum que ouvi em 2014. Confesso que realizar esta lista e chegar aos 15 selecionados não foi exercício dos mais fáceis, já que muitos trabalhos de qualidade foram produzidos neste ano.

Nacionalmente, este ano será lembrando como um dos mais frutíferos da safra, pois muitos álbuns de qualidade da cena independente foram lançados, provando a música brasileira vive um dos melhores momentos dos últimos tempos. Na ala internacional medalhões como Damon Albarn (do Blur) e Jack White, dividem espaço com promessas como o Real Estate e Sharon Van Etten.

Comecei a escrever aqui a um ano atrás. Os que me acompanham neste espaço sabem ou perceberam que tenho o gosto mais "indie" dentro desta seara metaleira chamada Ignes Elevanium. Desta feita, esta será a mais estranha lista se comparada com as que virão. Sem mais delongas, ei-la:




15) The Black Keys - Turn Blue.
Rock / Funk / Pop / Progressive

14) Banda do mar - Banda do mar
Rock / Pop / Indie

13) Transmissor - De lá não ando só
Alternative rock

12) Pato Fu - Não pare pra pensar
Rock / Pop / Indie



Rompendo um silêncio de quatro anos de estúdio os mineiros do Pato Fu voltaram a cena com o ótimo Não pare pra pensar. O disco promove o retorno de John Ulhoa, a alma da banda, aos vocais ("Ninguém mexe com o diabo", "You have to outgrown rock n' roll"), chama Ritchie "Menina Veneno" para dar uma força na delicada "Pra qualquer bicho" e evoca Roberto Carlos em "Mesmo que seja eu", resultando num álbum divertido e dançante até a médula. Ouça: Deezer


11) Camera - Mountain Tops 
Alternative rock / Folk


Neste primeiro e promissor disco cheio (descontando os dois EPs anteriores) os também mineiros da Camera fazem de Mountain Tops um dos grandes achados deste ano.  Cantando em bom inglês, canções como "Whatever works" , "Till life do us apart" e "Astronaut adrift" se destacam em disco cuja temática é promover o encontro das sutilezas da folk music com o caráter ensurdecedor de guitarras distorcidas. Olhos neles! Ouça: Deezer
  
10) Lana Del Rey - Ultraviolence
Blues / Dream-pop


Em Ultraviolence Lana Del Rey encontra, finalmente, a sonoridade adequada aos seus versos sombrios. A mágica produção de Dan Auerbach (The Black Keys) lapida o largo potencial da cantora já manifestado em discos anteriores, direcionado-a para algo próximo ao blues e ao dream-pop. Canções dolorosas como a faixa título, a enigmática "West Coast" e confessional "Fuck my way up to the top" conduz o ouvinte ao fascinante universo onde lamúrias sobre a vida e amores perdidos dão o tom. Ouça: Deezer 


9) Sharon Van Etten - Are We there

Folk / Indie / Rock 

"Eu te amo, mas estou perdida". Se Are we there, 4º disco da cantora Sharon Van Etten, pudesse ser resumido em uma sentença a mais adequada seria esta. Belíssimo trabalho criado pela cantora americana que prima por canções autênticas alusivas a cartas amorosas, em ode ao amor e as loucuras cometidas quando estamos apaixonados. Álbum destinado a ouvintes de coração aberto. 
Ouça: Deezer


8) Tiê - Esmeraldas
Rock / Eletronic / Folk 


Conhecida pela delicadeza poética sonorizada por melodias folk, Tiê optou por respirar novos ares em Esmeraldas. No seu terceiro disco de estúdio, a paulistana celebra novas parcerias e vai de encontro a novas sonoridades. O lado confessional de suas canções, marca inerente a sua carreira,  ainda permanece, mas a acelerada "Mínimo maravilhoso", a dançante "Urso" e a circense "Vou atrás" mostram que a cantora tem muito mais a mostrar. Ouça: Deezer


7) Real Estate - Atlas
Indie rock


Embebidos pela sonoridade de bandas como Dinosaur Jr. e Television, os americanos do Real Estate fizeram de Atlas um dos mais belos tratados de 2014. Conduzidos por guitarras limpas e sonoridade delicada, canções como "Had to hear" e "Talking backwards" funcionam como a trilha sonora  adequada para  momentos de relaxamento e reflexão. Ouça: Deezer

6) Jack White - Lazaretto
Blues rock / Garage rock / Country / Folk


Vivendo grande momento, Mr. Jack White promove em Lazaretto uma amálgama de toda a sua prolífica carreira. Country ("Temporary Ground", "Alone in my home"), folk ("Entitlement") e garage rock ("Lazaretto" e "Three Women") são algumas da facetas com as quais White dialoga, provando que ele está cada vez mais imerso nas raízes da música americana e de que este fator lhe fez muito bem. Ouça: Deezer


5)  O terno - O terno
Psychedelic rock  / Pop  / Folk  / Hard rock


Se no primeiro disco do grupo, o divertido 66, a sonoridade do Terno fora diluída na psicodelia sessentista, agora neste segundo, e excelente, álbum o grupo atinge a sonhada maturidade artística.  O peso promovido em "O cinza" e "Vanguarda?", a estética Beatle ("Quando eu me aposentar") e a pegajosamente pop "Ai, ai como eu me iludo" promovem um novo olhar para outras estéticas sonoras, resultando num disco primoroso. Ouça: Deezer

4) Sun Kil Moon - Benji
Folk rock / Indie rock



Mark Kozelek é, há muito tempo, referência para boa música. Seja a frente do extinto Red House Painters, do Sun Kil Moon ou em carreira solo, Mark soube muito base dosar leveza e crueza em canções com largo pelo emocional. Em Benji, Kolezek versa sobre seus pais ("I love my dad", "I can't live without my mother's love"), a primeira vez em que viu o Led Zeppelin ("I watched the film Songs remains the same") e a amizade ("Ben's my friend", homenagem ao líder do Death Cab for Cutie), celebrando de maneira belíssima a  nostalgia e  o amor a vida. Ouça: Deezer

3) Juçara Marçal - Encarnado
MPB /  Experimental


Após décadas como coadjuvante de vários projetos, Juçara Marçal finalmente decidiu lançar-se em carreira solo.  Apostando em formato sonoro inusitado, o disco é sonorizado duas guitarras sujas (conduzidas por Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, parceiros do projeto Metá Metá), uma rabeca (Thomas Rohrer) e sua voz incomparável que abrilhantam canções incríveis e memoráveis como "E o quico?", "Damião" e "Não tenha ódio do verão". Tantos predicados que qualquer descrição, por mais abrangente que seja, não conseguirá mensurar o resultado alcaçado. Visceral em sua totalidade, Encarnado é um dos mais surpreendentes álbuns dos últimos tempos. Ouça: Youtube

2) Titãs - Nheengatu
Rock / Punk / Ska


"Quem vive sobrevive", assim brada Paulo Miklos no refrão de "Cadáver sobre cadáver", canção marcante e definidora deste retorno dos Titãs. A banda não estava de férias de fato, mas fazia bastante tempo que algo acima da média, tal como clássicos álbuns de outrora, era produzido. A produção acertada de Rafael Ramos condensou toda a força e vitalidade deste novo repertório, composto por canções urgentes, pesadas e de alto teor político. Hinos como "Fardado", "República dos bananas", "Senhor" e "Quem são os animais?" remetem a preguiçosa sociedade brasileira vigente que vive tempos confusos onde muito se fala, pouco se pensa e nada se faz. Nheengatu é um autêntico e necessário tapa na cara do cidadão alienado. Um potente clássico que irá ressoar por bastante tempo. Ouça: Deezer

1) Damon Albarn - Everyday robots
Folk Music  / Trip-hop  / Electronic

        

Já havia resenhado por aqui a minha paixão por este disco de Damon Albarn e mesma permaneceu para este TOP 15. Apostando em melodias delicadas, canções como "Heavy seas of love", "The selfish giant" e "The photographs" nos convidam repensar a vida que segue, dia após dia, cada vez mais fria, digital e distante. Everyday robots é um sopro de vitalidade artística, direcionado a aqueles que preferem viver em harmonia com mundo. Reflexão exemplar para nossos tempos. Ouça: Deezer

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