sábado, 20 de dezembro de 2014
Avatar

Os melhores discos de 2014 por Koticho

1 comentários

Toda vez que eu ouço aquele papo de que a música atual não presta ou está pior do que antigamente, minha vontade é apontar pra cara da pessoa e rir. A música está em constante evolução, são milhares de bandas ao redor do mundo produzindo material finissimo dos mais diversos estilos, e que graças a internet, temos a possibilidade de acesso a tudo isso. Tenho pena de quem não tem essa capacidade de exploração, se limita ao que jogam no colo dela e ainda assim tem a coragem de fazer alguma crítica. A música está em seu melhor, como nunca esteve antes. Montar esse top 15 foi realmente dificil, são 15 de 206 discos lançados em 2014 que eu pude ouvir, e sei que ainda faltou coisa, mas tentei acompanhar como faço em todos os anos, ouvindo da mpb ao black metal, do rap ao experimental. Minhas escolhas não se deram por nenhum método de avaliação específico. Meu primeiro colocado foi aquele disco que o feeling bateu mais forte, mas logo após vem o Swans, com certeza o maior disco do ano musicalmente falando, as escolhas são baseadas puramente em gosto e percepções pessoais.



15 - Cloud Nothings - Here and Nowhere Else
Post-Hardcore, Indie Rock

Quatro discos em quatro anos, e uma discografia incrivelmente consistente. Rock sujo, garageiro, que ao ouvir é impossível não viajar para os anos 90. Indie, Post-Hardcore, Emo, o melhor da cena alternativa americana dos anos 90 está aqui, com canções empolgantes e grudentas que te transportam para a adolescência novamente. 







14 - Trophy Scars - Holy Vacants
Post-Hardcore, Blues Rock


Trophy Scars veio da cena do post-hardcore dos anos 2000 que carregava grandes doses do emo em sua sonoridade. Holy Vacantes marcam 5 anos de distância de seu ultimo álbum, Bad Luck, e traz uma nova sonoridade e grande maturidade. Doses de Blues Rock foram incorporadas, agora temos passagens com vocais ríspidos característicos do post-hardcore, mesclando com momentos que remetem a Tom Waits e belos vocais femininos balanceando as melodias.





13 - Sinoia Caves - Beyond the Black Rainbow 
Film Score, Progressive Electronic, Horror Synth

Estranhamente uma trilha sonora produzida para um filme de terror de 2009 que só viu a luz do dia este ano. Sinoia Caves é o projeto solo de música eletronica de Jeremy Schmidt do Black Mountain. São dezenas de camadas de teclados e sintetizadores, elevando ao máximo a tensão do ouvinte, e sem soar monotona em momento algum como boa parte das trilhas sonoras o fazem.








12 - Mastodon - Once More 'Round the Sun 
Stoner Rock, Stoner Metal

Once More 'Round The Sun segue certa proximidade com a sonoridade de The Hunter, e pela segunda vez o Mastodon deixa de fazer um disco completamente conceitual, apesar de Once More abordar uma temática de superação. É um disco mais pessoal que carrega uma carga emocional maior do que anteriormente. Impossível não cantar junto com Brann seus refrões melódicos.








11 - Freddie Gibs & Madlib - Piñata
Gangsta Rap, Hardcore Hip Hop

Madlib tem uma carreira intocável, esteve sempre produzindo música em alto nivel, após Madvillain então, se tornou uma divindade na produção de hip hop.  Assim como em seu extremamente bem sucedido projeto com MF DOOM, ele traz um novo companheiro, Freddie Gibs para rimar em cima de suas batidas. Temática de Gangsta Rap, produção como sempre calcada no Jazz, Madlib extraindo o melhor de Gibs e trazendo um dos discos mais pesados de rap de 2014.






10 - Emptiness - Nothing But The Whole
Dark Ambient, Death Metal

Uma das boas surpresas do ano, resolvi dar uma chance pela capa que me chamou a atenção, e descobri que o som consegue ser mais sinistro ainda. Dizem ser Death Metal, mas seu instrumental em pouco lembra o genero além dos guturais extremamente macabros. Os riffs são cheios de drones ou em certos momentos chegam a lembrar o post-rock com uma roupagem obscura.








9 - Natural Snow Buildings - The Night Country
Psychedelic Folk, Drone 

O grupo francês é provavelmente uma daquelas joias que sempre permanecerão escondidas do grande publico. De extensa discografia, esse é provavelmente um dos trabalhos mais belos até então. É um disco longo e lento, um trabalho belissimo de melodias, uma boa dose de psicodelismo e drones marcam o instrumental minimalista que serve de base para os etéreos vocais de Solange Gularte. 







8 - Kairon; IRSE! - Ujubasajuba
Shoegaze, Post-Rock

Restaurando a fé no shoegaze. Um grupo de nome estranho, capa estranha, lá da Finlândia. Ouvi sem muitas pretensões, shoegaze hoje em dia já está mais do que saturado, assim como o post-rock. Mas souberam utlizar o post-rock como base pra criar crescendos de forma genial envolto as paredes de som típicas do shoegaze. Nenhuma novidade, mas executado com maestria dentro da proposta. 







7 - Juçara Marçal - Encarnado
Vanguarda Paulista, MPB, Math Rock

Se existe um nome que faz a MPB ainda soar interessante em pleno 2014, esse nome é Kiko Dinucci. Responsável pela produção do disco de sua companheira metá-metá, Juçara Marçal, ambos fazem um dos albuns mais incríveis que a música brasileira teve o prazer de receber nos ultimos tempos. Juçara é dona de voz belissima e consegue trazer emoção em sua cantoria como ninguém. Servindo como trilha para suas densas letras, temos uma mpb torta, estranha, cheia de ruídos e compassos assimétricos. 






6 - Behemoth - The Satanist
Death Metal

Muitos podem não gostar do Behemoth, mas é impossível negar a qualidade de tudo que permeia a banda. Souberam aproveitar todo o lado obscuro do Black Metal de forma incrível na sua estética. É tudo primoroso, arte gráfica, videos, palco, tudo incrivelmente sombrio, bem feito e de bom gosto. Musicalmente é tão incrível quanto, todo o peso e a agressividade do Death Metal envolto numa sonoridade extremamente atmosférica e sinistra. Blow Your Trumpets Gabriel é de longe meu clip preferido de 2014.






5 - Flying Lotus - You're Dead!
Wonky, Nu Jazz, Jazz Fusion

Talvez o maior representante da alma do Jazz realocada para a música moderna. Chamar Steven Ellison, o Flying Lotus de gênio não é exagero. Um disco de apenas 38 minutos repleto de faixas curtas, um liquidificador de gêneros sendo descarregado no seu cérebro. Imprevisível e de construção complexa, You're Dead! é a trilha sonora do pós-morte, uma trilha cuidadosa e caprichada onde cada singular detalhe fora minimalisticamente calculado na hora de ser impresso em mais um grande trabalho de FlyLo.






4 - Run The Jewels - Run The Jewels 2
Hardcore Hip Hop

A parceria entre El-P e Killer Mike surgiu quando El-P foi responsável pela produção de RAP Music de Mike. Um ano depois o Run The Jewels deu as caras, a dupla tomava forma oficial. Run The Jewels 1 abalou as estruturas do rap em 2013, e apenas um ano depois, Run The Jewels 2 faz exatamente o mesmo, com um disco tão bom quanto, hardcore e divertidissimo.








3 - Triptykon - Melana Chasmata
Doom Metal

O Triptykon nasceu das mãos de Tom G quase que como uma continuação natural do rumo que o Celtic Frost havia tomado no fim de sua existência. A sonoridade extremamente obscura, o peso e cadência do Doom contrastando por vezes com a velocidade do Thrash Metal são as características mais óbvias de Melana Chasmata, que quanto mais se ouve, mais opressivo e denso se torna. 







2 - Swans - To Be Kind
Experimental, Post-Rock

To Be Kind é um puta disco, mas não foi impactante como seu antecessor. The Seer surpreendeu a tudo em todos como um disco perfeito e magnânimo, mas To Be Kind só por ter conseguido ser um disco a altura é um feito incrível. São poucas as bandas que conseguem criar algo tão genial e ter uma discografia tão sólida quanto o Swans passeando por tantas sonoridades diferentes. Escrevo essa resenha ao som de Toussaint L'Ouverture que eu já ouço a uns bons 6 meses e continuo impressionado com sua grandiosidade. 




1 - Cunninlynguists - Strange Journey Volume Three
Southern Hip Hop, Boom Bap

Não tem jeito, quando o feeling de uma música te pega é algo irreparável. Foram inumeras as vezes que botei Strange Journey Volume Three pra tocar e a mesma doce melancolia do disco me pega no âmago. Como o titulo sugere, o disco todo é uma viagem, é possível sentir continuidade entre cada música como se realmente fosse uma jornada. E pra completar, o álbum é cheio de participações dos melhores nomes do underground americano construindo canções incríveis. 






MENÇÕES HONROSAS


One Response so far.

  1. Passinho do Faraó é a melhor música que ouvi esse ano.

Leave a Reply

Link Off? Comente aqui mesmo ou na caixinha de bate papo ali do lado que a gente reposta rapidinho.

 
Ignes Elevanium © 2011 DheTemplate.com & Main Blogger. Supported by Makeityourring Diamond Engagement Rings

Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.