quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
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Porco na cena # 49: Foo Fighters (BH/MG)

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Primeiramente um grande fator a ser considerado: Belo Horizonte entrou, finalmente, para o hall dos grandes shows e turnês. Num breve retrospecto dos últimos anos, já passaram por aqui Paul McCartney, Elton John, Black Sabbath, Red Hot Chilli Peppers, Robert Plant (que volta em março), Iron Maiden, Guns and Roses, Bob Dylan, Morrissey, Faith No more, entre tantos outros artistas, que em tempos atrás nem nos mais remotos sonhos idealizava-se por estas bandas. 

O grande mérito desta nova fase que se inicia por aqui se dá por duas razões: o trabalho corajoso realizado por produtores locais e a presença do público que, vez ou outra, comparece aos mega shows. Infelizmente, BH é tida para os organizadores em geral uma cidade "difícil", pois nunca se sabe o evento irá lograr sucesso ou não.  

É sabido que o padrão "dinossauro do rock" é uma quase garantia de vendagem, mas apresentações de artistas mais "novos" (leia-se com menos 20 anos de carreira) sempre gera desconforto e ansiedade, pois nunca se sabe se será viável trazer ou não alguém destes moldes para cá. Mesmo com uma série de interrogações na cabeça, a Nó de Rosa Produções deu a cara a tapa e trouxe para solo mineiro a turnê Sonic Highways do atual "melhor grupo de rock" da atualidade: os Foo Fighters.      

Idealizado como um mini festival, a turnê brasileira da banda de Dave Ghrol teve como abertura duas bandas que suaram a camisa numa autêntica corrida contra o tempo: Raimundos e os britânicos da Kaiser Chiefs.

Raimundos: Foto: Divulgação 
Com apenas 30 minutos disponibilizados para a apresentação os Raimundos optaram corretamente pelo formato greatest hits, celebrando os 20 anos de banda. A breve introdução de "Killing in the name" (Rage Against the Machine) e o hino "Eu quero ver o oco" iniciaram os trabalhos. Sucessos como "Mulher de fases", "Me lambe" e "Palhas do coqueiro" foram ovacionados pelo pequeno público presente. O final apoteótico com "Puteiro em João Pessoa" incitou as hoje quase inexistentes rodas de mosh e fecharam o curto e enérgico set.    

Ricky Wilson em ação. Foto: Samuel Costa/Jornal Hoje em Dia

Desconhecidos da maioria, os Chiefs correram atrás do prejuízo para conquistarem a atenção dos presentes. E conseguiram na medida do possível. A banda fez o certo ao priorizar o repertório de seus dois primeiros discos (os ótimos Employment e Your truly, Angry Mob). Começando de maneira acelerada, a dobradinha "Everyday I love you less and less" e "Everything is average nowadays" já colocou em voga o talento de Ricky Wilson, um dos melhores frontmen do rock atual. Carismático até a medula, Wilson se entregou de maneira extrema durante a apresentação, ora correndo desenfreadamente pelo palco ora incitando o público para ovacionar a banda principal da noite. O hit "Ruby", única canção cantada pela massa, foi o ponto alto da apresentação que foi encerrada com "Oh my god". Novamente, tal como no Lollapalooza Brasil, a sensação de que o show deveria ser maior prevaleceu. Já passou da hora de trazer a banda para um show solo.

CIDADES / MAGAZINE . BELO HORIZONTE , MG

Foo Fighters faz show para 17 mil pessoas na Esplanada do Mineirao, na capital mineira, Belo Horizonte
Foo Fighters: Foto: Lincon Zarbietti (O tempo)
Era chegado o grande momento da noite, esperado pelos 18 mil presentes à Esplanada do Mineirão. Sob chuva, que dominou o primeiro terço da apresentação, os americanos do Foo Fighters adentraram o palco pontualmente para aquela que seria a mais "intimista" apresentação brasileira . 

Durante duas horas e meia, a trupe de Dave entregou de bandeja o que se espera da banda, tida como a "melhor da atualidade". Dominando os arquétipos do rock de arena pasteurizado, a banda enfileirou hits de todos os discos que ao vivo ganham versões estendidas, com grandes números instrumentais (por vezes longos até demais como foi o caso de "Monkey Wrench"). Visualmente delirante, o palco composto por cinco telões expôs não só o grupo em ação como também fez uso de várias projeções em alusão ao álbum em que divulgavam. Até mesmo a tradicional igreja da Pampulha, cartão postal belo horizontino, ganhou homenagem para conquistar a afeição local, artificio este dos mais manjados.          

Como autêntico líder, Ghrol tomou as rédeas da apresentação, abusando de seu carisma para se comunicar o público, na maioria das vezes repetindo as mesmas falas da apresentação do Rio. Durante a mesma ele foi de encontro à multidão, por diversas vezes, destinando inclusive um set acústico de duas canções e meia ("Skin and bones", "Wheels" e início de "Times like these") para os menos afortunados que estavam na distante pista comum. Para comprovar o seu "bom mocismo roqueiro", em "Breakout" permitiu que um sósia local trocasse de lugar e assumisse os primeiros acordes da canção.          

O já habitual set covers da turnê composto por "Detroit rock city" (KISS), "Tom Sawyer" (Rush) e "Under the pressure" (Queen) ganhou uma surpreendente novidade: "Let there be rock" do AC/DC. Estranhamente, todos estes hinos passaram quase desapercebidos pela jovem multidão que, aparentemente, desconhece da história do rock ou correu atrás da influências dos Fighters.
  
A sequência "All my life", "These Days", "Best of you" e "Everlong" retirou os resquícios de energia do público presente, finalizando assim épica apresentação.

Tudo aparentemente muito bem e de fato o fator de eu estar afônico caracteriza que fora uma boa apresentação, mas de certo modo em tempos nos quais o rock está condicionado ao ostracismo e não produz nada capaz de reverter a malfadada situação no mainstream é preocupante. Em tempos onde tudo que produzido é subproduto de alguma coisa e deglutido sem questionamento pela maioria, o apreço das multidões por tudo que Dave Ghrol produz se justifica, pois afinal o que ele faz é meramente dar aquilo que as pessoas querem e merecem.

A existência de uma banda de sucesso como o Foo Fighters, que nunca teve nada demais, é meramente um reflexo do fenômeno que hoje visualizamos na indústria da música: estamos carentes de grandes bandas.

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