segunda-feira, 23 de março de 2015
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Drops de bacon #13 - Cinco discos nacionais lançados em 2015

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Após longo hiato a seção drops de bacon está de volta! 

Destacamos neste retorno cinco discos nacionais da ala indepedente. Todos altamente recomendáveis e que foram lançados em 2015. 

“Curvas, Lados, Linhas Tortas, Sujas e Discretas”, Leonardo Marques (La Femme qui Roule)

Em sua segunda incursão solo, o mineiro Leonardo Marques (da banda Transmissor) segue apostando no formato indie folk. Salva a participação de Pedro Hamdam (baterista), “Curvas, Lados, Linhas Tortas, Sujas e Discretas” foi gravado de maneira solitária, em estúdio próprio (o Ilha do corvo), com Marques executando todos os instrumentos (piano, violão, banjo, guitarra, baixo, mellotron, optigan, chamberlin, casiotone, tonebank, guitarra barítona e percussão). Tal como em seu belo disco de estreia, “Dia e Noite No Mesmo Céu”, o multi-instrumentista segue apostando na continuidade natural de seu trabalho onde delicadas melodias servem como apoio adequado a sua frágil voz e a versos em ode a tristeza. Destacam-se neste novo trabalho, composto por nove faixas, a recriação intimista para “Um girassol da cor de seu cabelo”, do Clube da esquina (grupo já homenageado por sua banda oficial), a abertura com “Se o chão dá um nó”, a faixa título (composição coletiva com os comparsas do Transmissor), a levemente acelerada e cadenciada "Meus pés no chão" mais a singela "Brilhant blue", única faixa em inglês. Indicado para fãs do finado Elliot Smith. 

Ouça aqui

“Yours truly”, Invisível (La Femme qui Roule)


Segundo lançamento do selo belga-brasileiro neste ano, “Yours truly” é o disco de estreia dos belo-horizontinos do Invisível. Com apenas quatro meses de existência, o trio formado por André Travassos, do Câmera, Bernardo Zanetti e Lucca Noacco já debuta em disco cuja aposta musical vai de encontro folk americano tradicional, como sonoridade híbrida entre a velha guarda (Bob Dylan, Neil Young) e a contemporânea (Fleet Foxes, Bon Iver). Produzido de maneira minimalista por Leonardo Marques e a própria banda, o álbum é conduzido essencialmente por violões e banjos, fator este que garante o caráter de unidade sonora ao álbum. O estado de paz espiritual e a leveza são a chave para embalar canções sobre amizades sinceras (na curta "Friendly fire") e amores correspondidos ("Your love is a long road"). Os arranjos minuciosos também são destaque como em "Quiet unquietness" e "The Lightness Of Being", canções entrecortadas por belos arranjos ao trompete, a gaita presente na já citada "Friendly fire" e as harmonias vocais que permeiam todo o álbum. "Yours truly" representa um novo frescor sonoro na seara nacional em contraponto a tantas brasilidades por aí (sem nenhum demérito aqui).     

Ouça aqui.

"Carnaval dos bichos", Madame Rrose Sélavy (independente)


Chegando ao seu oitavo álbum de estúdio, o sexteto Madame Rrose Sélavy (nome em homenagem ao alter-ego do artista Marcel Duchamp) segue a sua sina de unir concepções distintas indo da bossa-nova a crueza do punk, perpassando pela música eletrônica com pitadas de jazz. Liderado pela dupla Rodrigo Lacerda Jr. e Tuca Lima, responsável por todas as composições, "Carnaval dos bichos" mais do que uma alusão abrasileirada a clássica obra literária de George Orwell, representa em verso e prosa a estética do faça você mesmo. Gravado de modo artesanal pela própria banda e lançado de forma independente no inicio do ano, a obra é dominada por melodias simples, vocais em dueto (conduzidos por Lacerda e Ana Moravi) e canções curtas (todas na casa dos três minutos) que servem de pano de fundo para letras em referência direta a  poesia marginal e a vanguarda paulista. A desconcertante "Frio na espinha", a irônica "Merda pela grama" e a pegajosa "Amor de plástico" são exemplos desta seara. O single "Atriz na high society", a balada "Ela foi pra Marte" e a acelerada "Coberta com açúcar" também se destacam neste ousado disco que traça um olhar divertido e multifacetado da contemporaneidade.  

Ouça aqui.

"Trovões a me atingir", Jair Naves (independente)



Cada vez mais distante dos tempos verborrágicos de liderança do grupo Ludovic, Jair Naves vai de encontro a serenidade em Trovôes a me atingir. Composto por nove faixas, o segundo e curto álbum solo prima pela linearidade musical. Por mais que suas letras ainda permanceçam em sua zona de conforto (em sua maioria em ode a tristeza quotidiana), o caráter solar sonoro predomina. As pungentes "Resvala" e "Em concreto"; a cadenciada "Incêndios", o dueto com Barbara Eugênia em "B." dueto com Barbara Eugênia mais a bucólica e a esperançosa "Prece atendida" são alguns exemplos deste novo direcionamento. De maneira tocante, Naves segue (tal como na sua estreia solo voce se sente numa cela escura planejando a sua fuga cavando o chao com as proprias unhas) utilizando a sua potente voz para falar sobre as agruras da vida de coração aberto. Um dos discos do ano desde já.

Ouça e baixe aqui.            

"Um chopp e um sundae", Rafael Castro (independente)



Em seu 11º disco Rafel Castro segue entretendo o público, num álbum que prima pela mistura de bases eletrônicas, guitarras sacanas e letras dominadas pelo humor. No disco Um chopp e um sundae Castro divide o repertório entre desconstuções magníficas de hits de outrem ("Aquela" do Raimundo, e "Víbora" da Tulipa Ruiz) e canções autorais. Nesta ala a abertura com "Ciúme" (cuja melodia é puro "Kids" do MGMT), a elétrica "Caetano Veloso" (canção como cara de hino pró-cena independente musical) e a dançante "Bicho Solto" se destacam. Despretensioso e direto, Rafael cria ao longo de 40 minutos um disco divertido, pop e sem restrições.

Baixe aqui.          

Os textos sobre os três primeiros discos (Leonardo Marques. Invisível e Madame Rrose Sélavy) foram publicados originalmente no Scream & Yell.

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