quarta-feira, 8 de abril de 2015
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Porco na cena #52 - Lollapalooza Brasil 2015

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Em 2015 Lollapalooza chegou a sua quarta edição no Brasil e segunda no Autódromo de Interlagos. O line up desta vez foi o mais diversificado, pois apostou em DJs (Calvin Harris e Skrillex) que foram içados ao hall de co-headliners, um artista pop de peso (Pharrel Willians), bandas consagradas (Smashing Pumpkins), artistas renomados (Robert Plant), um astro do rock em seu melhor momento (Jack White) e muitas bandas indies brasileiras (Boogarins, O terno, Far From Alaska, Baleia) que ganharam no Lolla uma boa oportunidade de exibição. 

Mas como um bom festival não é feito só de música, mais uma vez, a organização errou em diversos quesitos. À começar pelo preço exorbitante de tudo relacionado à alimentação internamente. Uma água por exemplo saia à 2 mangos (R$ 5,00) e uma cerveja cerveja à 4 mangos (R$10,00). Para entender melhor o funcionamento o festival adotou uma moeda interna que custava R$ 2,50 correspondente a cada mango.  Tal iniciativa pode até ter sido uma ideia engenhosa, mas que de fato foi uma tentativa de tentar mascarar os preços abusivos. 

Como se não bastasse logo no primeiro dia do evento o sistema das máquinas de cartão de credito saiu do ar, fazendo com que várias pessoas tivessem que esperar um bom tempo para comprar suas moedas de troca. Já no segundo a cerveja chegou à acabar em alguns bares por volta das 20:00. 

A distribuição da grade de horários de apresentação também carecia de um melhor arranjo, pois ótimas apresentações de bandas como Interpol, Molotov e Kasabian acabaram sendo curtas, em horários ruins ou com pouco público. Já bandas medíocres como Alt-J, Young The Giant e The Kooks obtinham melhores horários e shows com duração de mesmo quilate.    

Positivamente, a ala de serviços foi aumentada tanto no Chef Stage quanto aos vários Food trucks instalados próximos ao palco Skol que ofereciam uma diversidade considerável de comida, mesmo que também à preços salgados. A disposição dos palcos e banheiros seguiu quase a mesma logística da edição anterior com exceção do palco Ônix cuja distância fora encurtada.

No total 136 mil pessoas circularam durante os dois dias evento. O Ignes Elevanium esteve lá representado a classe dos entusiastas por shows que preferem ir ao campo de batalha ao invés de ficar sentado assistindo pela TV e conta como foram algumas das apresentações.

   
Sábado (28 de março)

Banda do mar

Aproveitando da boa repercussão de seu disco de estreia, a banda liderada pela dupla Marcelo Camelo e Mallu Magalhães reuniu um grande público no início da tarde de sábado. O set composto por 17 músicas privilegiou o disco Banda do mar, mas também trouxe pérolas das carreiras solo de ambos. Do repertório de Mallu vieram o hit "Velha e louca", "Olha só, moreno" e "Sambinha bom". Já Camelo apostou em "Além do que se vê", "Morena" (ambas dos Los Hermanos) e "Janta", canção esta solicitada pela público durante toda apresentação. Ao final "Muitos chocolates" colocou ponto final na ótima performance.



DJ Snake

Eu não sou um grande apreciador e conhecedor de música eletrônica, então quando entrei no Palco/Tenda do Perry para ver o DJ Snake, não sabia o que esperar, afinal nem conhecia o cara. Mas devo dizer que me surpreendi positivamente com o show. O publico estava super animado em ver o cara  e ele não deixou por menos, retribuindo em grande estilo, com uma apresentação que contou com fogo no palco para delírio dos fãs. Como não poderia ser diferente, a mixagem das musicas contava com vários ganchos específicos para fazer a galera pular e ele o fazia isso muito bem, sem soar repetitivo, como muitos DJs fazem. Foi uma agradável surpresa.          

Kasabian


Nota inicial: os britânicos da Kasabian sabem como fazer um senhor show. Atraindo um grande público para o palco Ônix a apresentação fora iniciada com a pulsante "Bumblebeee", canção presente no seu mais recente álbum 48:13. Sem deixar a energia cessar, o abrangente set (composto por 14 faixas) perpassou por hits das várias fases do grupo destacando as ótimas "Club foot", "Fire" e "Underdog". Ao final uma inusitada cover de "Praise You", de Fatboy Slim, serviu de prelúdio para a catarse final cometida via "L.S.F. (Lost souls forever)" que encerrou os trabalhos de uma apresentação coesa que merecia ser de maior em extensão.


Robert Plant

Repetindo basicamente o mesmo set apresentado em BH dias atrás, Plant e sua exímia The Sensacional Space Shifters fizeram de tudo para chamar a atenção do jovem público que aguardava ansiosamente pela atração principal da noite. Mesmo com o esforço considerável por parte do ex-Led Zeppelin (que conclamava o público aos gritos de "Come on my children") Plant foi recebido de maneira fria por grande parte da platéia que esboçada pequenos espasmos de reação somente nos hits do Zeppelin. Novamente uma grande apresentação, mas que desta vez não conquistou a devida atenção.       

Jack White 


Ao invés de um telão, o palco de Jack White conta com uma TV velha de tubo (Foto: Caio Kenji/G1)
Jack White. Fonte: Caio Kenji/G1
Um show musical, como o nome já diz, tem que ser um show, um espetáculo, é o momento do artista se apresentar e dar ao publico elementos que façam valer a pena pagar para ver ao vivo. No caso de um show musical, não é apenas chegar lá, tocar algumas musicas, soando exatamente como está no disco, agradecer e ir embora. Infelizmente existem bandas atualmente que acham que isso é show. Mas ainda tem artistas que colocam elementos em seus shows que tornam a experiência indispensável para quem aprecia a musica, só observar os shows do Ghost ou do Paul McCartney e, agora, do Jack White.

Jack White não é um cara que interage muito com o público, nem possui um show com efeitos pirotécnicos. O que diferencia seu show são as roupagens que o músico da às suas musicas e o fato de não ter um setlist definido. Cada musica acabar trazendo uma surpresa como foi em "Three Women", quando ele se exibiu com seu theremin, algo que ele não costuma fazer nos shows. Os momentos de improviso e interação com a banda são notáveis. Claro que isso não seria possível se ele não contasse com um time de músicos competentes composto por Daru Jones, um virtuoso baterista com uma técnica incrível, Lillie Mae no violino e backing vocals, Dominic Davis no baixo, Fats Kaplin na slide guitar, violino e theremin e Dean Fertita no teclado.

Como era de se esperar esse time de músicos certamente dariam um tom diferente para as músicas do White Stripes, o que foi ótimo. Ouvir "Hotel Yorba" com roupagem country que a slide guitar e o violino deram foi incrível. O mesmo se repete para as outras musicas do antigo grupo de Jack White.

1h45m de show foi pequeno para um cara que tem três bandas, fora a carreira solo, mas ele fez bem em apostar seu setlist nas musicas do mais recente disco Lazaretto. Foram oitos musicas do White Stripes, duas do The Ranconteurs e dez da sua carreira solo.

Comandando com maestria sua banda e dando espaço para que todo mundo brilhe nas musicas, Jack White fez uma grande apresentação, improvisando, mudando musicas e mostrando porque é um dos músicos mais importantes atualmente, pena que o publico não respondeu a altura e acabou sendo um publico morno. Mas, apesar disso, o cara fez um verdadeiro espetáculo memorável.

Domingo (29 de março)

Molotov

A chuva, que basicamente dominou o segundo dia de festival, em nada interferiu a explosiva apresentação do quarteto mexicano. A banda, cuja sonoridade aposta na mescla de rock e hip hop, fez um set preciso, privilegiando o repertório do clássico disco ¿Dónde Jugarán las Niñas? e resgatando pérolas do álbum Dance and Dense Denso. Ao final a cover de "I turned to a martian" dos Misfits (vertida para "Marciano") e o hino "Puto"encerram a curta apresentação que também merecia ser colocada num horário melhor e de maior extensão.

Interpol

Enquanto os paulistanos do O terno faziam uma ótima apresentação no palco Axe a trupe liderada por Paul Banks atraia uma grande público para o palco Skol. Enfrentando uma chuva torrencial que dominou boa parte da apresentação os nova iorquinos do Interpol pareciam estar em casa. "Say hello to the angels" fora o carro chefe. Apesar de enfrentar problemas com som baixo, a banda tocou o barco da apresentação onde faixas de todos os discos de estúdio foram contempladas. "Rest my chemistry", "PDA", "NYC" e a apoteótica "Slow hands" foram os pontos altos de uma apresentação crua, direta, sem rodeios.

Foster the people

O status de co-headliner da noite de fato não pesou para os norte-americanos do Foster The People, pois a banda liderada pelo carismático Mark Foster soube segurar as rédeas. Utilizando de largo apelo visual, a apresentação basicamente privilegiou, quase que em sua totalidade, o repertório presente nos dois discos de estúdio (Torches Supermodel). Apesar da caráter distinto de ambos os álbuns, ao vivo a sensação de unidade sonora prevaleceu. O megahit "Pumped up kids" fora deixado acertadamente para o final, mas faixas como "Coming age" e "Call it what you want" também se destacaram.

Smashing Pumpkins

Bill Corgan, vocalista do Smashing Pumpkins, canta durante o último show do palco Axe (Foto: Flavio Moraes/G1)
Smashing Pumpkins. Foto: Flávio Moraes/G1

Após a errática e megalomaníaca apresentação de 2010 no Festival Planeta Terra, Billy Corgan estava em dívida com o público brasileiro. É certo que os tempos áureos da banda já se foram há tempos, mas bastava um pequeno esforço por parte do líder dos Smashing Pumpkins para que o show ganhasse ares históricos. E assim o foi.

Acompanhado por uma senhora banda de apoio formado por Brad Wilk (ex-baterista do Rage Against the Machine), Mark Stroermer (The Killers) e pelo fiel escudeiro e exímio guitarrista Jeff Schroeder, Corgan se sentiu mais à vontade, aproveitando inclusive para interagir o público presente, momento raro para quem tem a fama de ser carrancudo. 

O set coeso mesclou hits de outrora ("Bullet with butterfly wings", "Cherub rock", "Tonight, tonight", "Ava adore", "Stand inside your love", "1979", "Disarm") com faixas mais recentes ("Drum + file", "Being Beige", "Pale Horse", "Monuments" foram algumas delas) que em nada destoaram o clima da noite.

Ao final, o aguardado hino "Today", em formato acústico e solitário com direito à fogos de artificio, fechou mais uma edição do festival Lollapalooza 2015 que retornará ano que vem para a sua quinta edição.

Créditos: texto e edição por Bruno Lisboa com colaboração de Gabriel Ciola, responsável pela abertura e as críticas das apresentações de Dj Snake e Jack White. 

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