segunda-feira, 21 de setembro de 2015
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Johnny Hooker - Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!

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Gênero: MPB / Glam Rock
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: O Johnny é uma catarse. Evocando a filosofia aristotélica, encontramos o conceito de catarse como “purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama” e logo na primeira faixa, a que dá nome ao álbum, Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!, a gente percebe essa catarse atrelada na poética do cara.

Aliás, esse resenha é dedicada a Ariels porque esse álbum é verdadeiramente dela (a gente dividiu e estamos a procura de um álbum pra mim).

“É, talvez algum dia / Eu vou te encontrar / E só se eu te implorar / Conte mentiras pra me fazer sonhar”, o drama está intrincado na letra tal qual na sonoridade com os metais advindos de uma novela mexicana – e não pensem que é uma ofensa, longe disso, as novelas mexicanas são permeadas com todo o drama visceral que o Johnny apresenta na faixa, toda a macumba pra amarrar seu amor maldito, assim, libertando-se do sofrimento que é aquele amor por meio da percussão bem ritmada e do vocal quase gritado mais pro final da faixa: como já disse, catártico.

Em Volta, Johnny mantém a sonoridade bem atrelada aos metais, algo bem latino, kitsch, quase brega – mas funciona. Funciona porque as letras pedem esse drama excessivo, pedem essa esse erotismo que ele coloca em suas interpretações; essa tragédia bem ritmada e fluida, não caricata, mas real, pulsante, falando tudo o que precisa ao mesmo tempo e sem se tornar uma cacofonia irritante: o drama mantém cada coisa em seu lugar.

O álbum dói. Alma Sebosa, que fora trilha sonora de uma novela das sete da Globo, mantém a mesma pegada que as anteriores, só que na faixa há algo bem mais mariachi, os metais em maior evidência em um ritmo mais rápido, bem ornamentados com a percussão dançante. Vale também ressaltar a ótima versão de Alma Sebosa em espanhol que joga ao quadrado todas as referências sonoras presentes na versão em português. É uma faixa com uma característica que é bem recorrente no álbum, até, mas não falha, em momento algum. Nem cansa, longe disso, porque no decorrer da mesma temos uma guitarra que vem se juntar com toda a potência que o álbum apresenta – e se mantém assim em quase toda sua extensão.

Algo que quero deixar frisado aqui é a poesia das letras. Nas quatro primeiras faixas, com Chega de Lágrimas se afastando um pouco das linhas dos metais presentes até então, há reinvenções de amores descontentes; perdas, danos, ganhos, acertos e erros. O que me atrai no álbum é o medo de não se esconder, as composições são altamente doídas e existenciais, relatam casos amorosos das mais variadas formas, resfolegam na lama, não se salvam de maneira alguma - as composições não têm medo de se tornarem piegas ou caírem no brega mais do mesmo, no brega farofa que a gente tanto amo, elas realmente viram poesias embaladas por uma sonoridade que só as faz crescer.

Amor Marginal ganhou uma gravação um pouco menos soturna do que a do álbum anterior, mas ainda assim agrada. É ela que, para mim, funciona como o ponto de ruptura de tudo que vinha anteriormente acontecendo no álbum. Ela é mais lenta, mais sofrida, tem uma pitada de ultrarromantismo, funcionando também muito bem com a faixa seguinte, Segunda Chance, que começa num voz e violão incrível.

Aliás, falando ainda de Amor Marginal, ontem fora lançado o belíssimo clipe da faixa. Uma incrível interpretação do Luiz Miranda com um texto original do Johnny funcionando como prólogo e, posteriormente, epílogo do mesmo. O clipe fora inspirado no ótimo filme de Javier Fuentes-León, Contracorrente, de 2009, que também narra o relacionamento de um homem casado com um “morador” do mar. O filme é belíssimo, vale a pena à procura e funcionou muito bem a vibe do mesmo com a música do Johnny – a atuação do Johnny, o cenário e o figurino são incríveis, você fica criando a narrativa daquele casal, daquela trilha mentalmente e tudo só se torna mais poético, mais catarse, por favor.

Finalizando a resenha tem a sensacional Você Ainda Pensa?. Letra e sonoridade estupendas, de uma dor fodida, de um amor real, de uma vida real, de um casal real. Sei lá, não consigo ver o Johnny longe de toda essa tragédia, desse buraco que ele não faz questão nenhuma de sair, ao contrário, ele te carrega pra ele, te faz sentir aquilo tudo, te faz sentir mal estar – te faz sentir bem com o teu próprio mal estar e para mim isso é o ponto máximo do álbum.

A catarse se faz presente nessa tragédia feita para ilustrar diversas faces de um amor maldito.


Tracklist:
01. Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!
02. Volta
03. Alma Sebosa
04. Chega de Lágrimas
05. Amor Marginal
06. Segunda Chance
07. Boyzinho
08. Boato
09. Você Ainda Pensa?
10. Desbunde Geral
11. Alma Sebosa (Versão em Espanhol) 
 
Ouça: Spotify

 

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