sábado, 21 de novembro de 2015
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Porco na cena #53 - Pearl Jam em Belo Horizonte

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Os norte-americanos Pearl Jam estão há quase trinta anos prestando bons serviços ao mundo, conciliando (em doses equilibradas) boa música e ativismo político/social. 

Com reconhecimento em escala mundial, a banda vem desde o seu álbum de estreia arrebatando plateias mundo afora (das mais variadas faixas etárias), graças a grandes canções e apresentações viscerais, longas e antológicas. Ontem fora o dia do público mineiro conferir pela primeira vez a passagem da trupe liderada por Eddie Vedder. 

Porém, para descrever o que fora a primeira passagem do Pearl Jam em Belo Horizonte, jornalisticamente falando, não é tarefa das mais fáceis, pois encontrar palavras que mesurem de maneira adequada a emocionante apresentação é passível de ser piegas por demais e passa longe da imparcialidade. Mas alheio ao profissionalismo me rendo a tentar expressar minhas impressões.  

Os 42 mil presentes no Estádio Mineirão foram agraciados com um banho torrencial, de maneira literal e metafórica. Durante a sexta-feira, dia da apresentação, a cidade sofrera com fortes chuvas que perduraram por todo dia. E para compactuar com o clima, a apresentação (iniciada com meia hora de atraso) teve como abre-alas "Rain", delicada canções dos Beatles,

Diferente do formato "montanha russa" (oscilando longas sequências com canções mais lentas ou mais rápidas), o setlist da noite (composto por 36 músicas, o mais longo desta turnê, em quase três horas de apresentação) seguiu um inusitado formato randômico, quase alternando entre essas duas categorias. 

No hall das predileções, o álbum Ten fora o grande prestigiado da noite tendo seu repertório tocado quase em totalidade. Hinos da fase inicial como "Black" e "Alive" causaram momentos de catarse coletiva. Já a ala das covers, além dos Beatles as homenagens da noite percorreram desde caminhos habituais ou conhecidos dos fãs via "Sonic Reducer" (Dead Boys), "Imagine" (de John Lennon), "Rockin' in the Free World" (Neil Young)  aos inusitados como "Comfortably Numb" (do Pink Floyd, executada ao vivo pela 2ª vez) e a inédita "I want you so hard (boy's bad news)" (Eagles of Death Metal). Atendendo a "protestos", segundo Vedder, Stone Gossard foi aos vocais para cantar "Mankind", faixa do disco No code. Hits como "I am mine", "Do the evolution", "Sirens" e "Given to fly" não foram esquecidos e conviveram em plena harmonia com b-sides como "Pilate" e "Bee Girl". Tudo tocado com a maestria.    
   
Esbanjando o carisma já habitual, Vedder (em bom português) arriscou a comunicação com o público. Na sua pauta estava o dolorido atentando a capital francesa e o "acidente" ambiental ocorrido em Mariana (MG). Para o primeiro o vocalista dedicou a já citada"Imagine", clamando pela paz mundial. Já o segundo ganhou atenção especial já que ele bradou por uma imprensa imparcial e que prime pela verdade. Não obstante, conclamou por justiça aos culpados pelo desastre que, segundo o mesmo, "não deve ser esquecido" e ainda prometeu parte da renda do show para os que sofrem com as consequências do mesmo.

Por fim, Bono Vox (U2) certa vez disse que "a música pode mudar o mundo porque ela pode mudar pessoas". Atualmente vivemos dias tenebrosos (o ano de 2015 segue como um dos mais estranhos e tempestuosos dos últimos tempos), mas o Pearl Jam segue remando contra a maré, dizendo através de sua música que valores que prezem pela paz, a igualdade e o amor devem ser perpetuados de maneira desregrada e sem medida. Enquanto existirem bandas com proposta como esta o mundo torna-se um lugar ainda melhor. 

Poster oficial da apresentação. 

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