domingo, 20 de dezembro de 2015
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BANDAS AMIGAS #9 - Federico Puppi e Fernando Leitzke

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 Federico Puppi



Depois de anos de espera, amadurecimento, esquecimento e descobertas, nasce o meu primeiro disco autoral e inédito”. É assim que o violoncelista e compositor italiano Federico Puppi anuncia “O Canto da Madeira” (independente, financiado via crowdfunding), instrumental de verve pop. O álbum pode ser baixado gratuitamente no site oficial do músico (www.federicopuppi.com) e está disponível para audição nas plataformas digitais. A cantora e compositora Maria Gadú participa de duas faixas.

Disco e apresentações são fruto de uma mistura sonora vibrante e contemporânea: um violoncelo alemão de 150 anos + melodias pop + ritmos brasileiros + flertes com o rock, o jazz e o eletrônico. Ao todo, o disco traz 10 canções instrumentais, cantadas pelas cordas graves do violoncelo no lugar tradicional da voz. O conceito deu nome ao álbum e norteia a obra de Puppi, que estuda o instrumento desde os 4 anos com uma certeza rara de que escolheu e foi escolhido pela música. “Brinco dizendo que é esse violoncelo cheio de histórias quem me toca”.

A vontade de gravar um disco para chamar de seu é antiga, mas, como uma massa que leva um certo tempo para crescer, “O Canto da Madeira” acaba de sair do forno – e chega num ótimo momento na carreira de Federico Puppi. Já estabelecido no Rio de Janeiro, onde mora desde 2012, quando, fugindo da crise europeia, baixou por aqui com o cello nas costas, o ragazzo está em destaque na cena, tocando com o estupendo Caio Prado, além de pertencer à banda fixa e estelar de Maria Gadú. Juntos, produziram o recente “Guelã” (Som Livre), indicado ao Grammy Latino como melhor álbum de MPB.

“Sempre tive a necessidade de fazer o meu som, com as minhas músicas. Esse desejo aumentou nos últimos anos, quando vi a minha carreira de instrumentista deslanchar”. Federico Puppi encontrou o seu lugar. Vem gravando com artistas consagrados – destaque para a sua participação no disco “Magic” (2014), de Sérgio Mendes –, compositores e músicos famosos – gravou o disco “Dio&Baco”, de Suely Mesquita e Eugenio Dale, e se apresenta regularmente com o duo – já colocou o seu instrumento à serviço das contemporâneas Roberta Sá e Anna Ratto (no CD e DVD “Ao vivo”), por exemplo, e expandiu para outras formas de arte. Atualmente, está em cartaz com o espetáculo teatral “Consertam-se Imóveis”.

Faixas como “Solo come um cane” (a única com título em italiano, que significa “Sozinho como um cão”), “Touareg”, “Blue jeans” e “Dança da chuva” vieram da Itália dentro do case de Puppi. Outras três foram escritas no Brasil: “Dente de Leão”, que ele dedica à mulher, a atriz Suzana Nascimento; “Chiara”, feita para a irmã radicada em Edimburgo, e “Rua São Braz”, uma homenagem ao seu primeiro endereço carioca, em Todos os Santos. Com todo o simbolismo que pode ter, é a faixa que abre o disco.


Sobre Gadú, o violoncelista fala com intimidade e gratidão. “Nos conhecemos numa noite que eu não queria sair de casa, mas acabei indo parar num sarau no Comuna, em Botafogo. Quando estava no fim, chegaram um rapaz e uma garota. Eles quiseram tocar e os caras religaram tudo. Eram Dani Black e Maria Gadú. De repente, me vi no palco com a Maria, sem saber quem era. Fizemos uns improvisos e a noite terminou muito feliz. Dias depois, ela me ligou convidando para participar de um show em homenagem ao Cazuza. Aceitei na hora. Isso foi em setembro de 2013”, rebobina.

A partir daí, a vida seguiu outro rumo e Federico Puppi foi se aproximando dos músicos que abraçaram a ideia de fazer “O Canto da Madeira” acontecer. Conheceu Gastão Villeroy (baixo e coprodutor do disco) e Cesinha (bateria) através da Gadú e, apresentado pelo Gastão, ficou amigo do Marco Lobo (percussões). O Eugenio Dale (violão de nylon na faixa “Bebum”) também veio por intermédio do Gastão, sócio no estúdio Pacto com Baco, onde parte do trabalho foi gravado. Fernando Caneca (guitarra e violão de nylon) já tocava com a Gadú e logo ficaram amigos. Quando menos esperava, estava formada a banda que você ouvirá neste lançamento, que já pode ser considerado um dos melhores álbuns do ano!


Fernando Leitzke



O pianista gaúcho Fernando Leitzke (pronuncia-se “Laitisque”) gravou este ano o álbum instrumental “Rios que navego” com apoio financeiro de mais de 200 amigos e admiradores. Fez o primeiro show de lançamento na Casa do Choro e está trabalhando para continuar levando esse repertório para os ouvidos brasileiros. Radicado no Rio de Janeiro há seis anos, Fernando toca há 12 anos e acredita que esse seja um “disco de fronteiras” por aproximar a sonoridade do Rio e de Porto Alegre, em sambas, candombes, choros, um bolero e uma valsa.

“Gravei este disco porque senti a necessidade de mostrar o meu trabalho mais a fundo, não só como acompanhador, mas também como arranjador e solista. As composições sempre chegaram de um forma muito natural, mas refletem momentos como liberdade e tristeza. Escrevi as cinco autorais no Rio, em apartamentos onde morei no Flamengo e na Tijuca”, conta o músico, que entremeou os seus temas (“Chaleira quente” e “Pequena folha” são dois deles) com obras reconhecidas de Pixinguinha (“Mundo melhor”, sem a letra de Vinicius de Moraes), Tom Jobim (“Descendo o morro”, também sem os versos de Billy Blanco) e Radamés Gnattali (“Vou andar por aí”).



Esses três compositores representam o que há de melhor na música brasileira e também foram, de certa forma, responsáveis pela vinda do pianista à cidade onde moraram e produziram. O nome “Rios que navego” resume essas influências. Já Rubén Gonzales, pianista cubano, é uma grande referência no modo de tocar, um exemplo de piano forte com alma. E Rubén Rada, ele conheceu através de outros músicos gaúchos e se encantou pelo seu repertório de candombes, ritmo tradicional no Uruguai. Nos choros autorais “Segunda” e “Radamesiando”, Fernando homenageia, respectivamente, Cristóvão Bastos e, de novo, o mestre Radamés, a maior inspiração para os pianistas de música brasileira. 

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