quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
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Os melhores discos de 2015 por Bruno Lisboa

1 comentários

A música brasileira viveu um grande momento em 2014 e 2015 foi, novamente, um ano especial. Por mais que a "velha mídia" costume cravar que a mesma está morta, o número de produções de alta qualidade deste ano superou as minhas expectativas. Outros tantos discos poderiam estar aqui.

Na ala internacional os retornos do trio Sleater Kinney e Juliana Hatfield dividem espaço com o soberbo disco do rapper Kendrick Lamar, a ousada recriação de 1989 disco de Taylor Swift por parte de Ryan Adams e os novos rebentos de Mark Kozelek via Sun Kil Moon. Eis a lista:


10) Dibigode - Garnizé
Post-rock / Samba / Eletronic / Rock / Jazz

Em seu segundo álbum, a turma mineira da Dibigode trafega pelo caminho da ousadia. Tendo como mote central uma homenagem semi-instrumental ao sambista Ataulfo Alves, o grupo não se rende as armadilhas da mera reprodução dos arranjos originais, pois aposta alto na pessoalidade e a na criatividade ao longo de oito faixas de Garnizé. Gravado em Mineapollis (EUA) com produção de Zachary Hollander (que já trabalhou com Explosions in the sky e The Polyphonic Spree), “Garnizé” recria de maneira desconcertante clássicos do compositor de Miraí, MG. O resultado final é tão acima da média que deixaria o finado ícone da música popular brasileira orgulhoso. Ouça aqui.


09) Juliana Hatfield Three - Whatever, My love
Alternative rock

Em paralelo a sua prolífica carreira solo, Juliana Hatfiled (a eterna musa dos indies) retorna ao formato mínimo de seu projeto paralelo (o Three) e faz do seu mais novo disco uma autêntica coletânea de grandes canções. Gravado junto ao baterista Todd Phillips, o baixista Dean Fisher e com produção da própria cantora, em seu segundo álbum como trio (Whatever, my love) Juliana coloca a sua pessoalidade em voga através de canções pop pegajosas com ares anos 90. Nesta seara se destacam "I'm shy", a acelerada "Push pin" e o single "If I could". Ouça aqui.


08) Sun Kil Moon - Universal Themes 
Folk rock / Indie folk / Indie rock

Encabeçado pelo grande Mark Kozelek e tendo como convidado especial o baterista Steve Shelley (ex-Sonic Youth) o Sun Kil Moon chega ao seu sétimo disco de estúdio. Composto por 8 longas canções, em Universal themes o cantor fala de maneira intimista sobre sua experiência no cinema em "Birds of films" e "This is my first day and I'm Indian and I work at a gas station" (ele faz uma ponta em Youth novo filme de Paolo Sorrentino), o peso da existência em "With a sort of grace I went to bathroom to cry", a vida caseira e os prazeres de estar em turnê na belíssima "Garden of lavender" entre tantos outros temas que demonstram o que  Kozelek sabe fazer de melhor: descrever a beleza e as agruras do dia a dia em forma de música. Ouça aqui.


07) Ana Cañas - Tô na vida
Rock

Com produção de Lúcio Maia (Nação Zumbi), mixagem de Mario Caldato Jr. (Beastie Boys) e colaborações de peso por parte de Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Dadi, Ana Canãs fica à vontade em Tô na vida para perfilar o que melhor sabe fazer: canções sobre o amor e dor. Destacam-se nesta seara canções como "Indivisível", "Madrugada quer você" e a faixa título. Para quem conhece a sua carreira de fato sabe muito bem que a postura rock n' roll impressa no novo disco já era alardeada, seja no palco ou com os apontamentos presentes em canções dos álbuns Hein? e Volta. Mas a falta de novidade não descredita este novo trabalho. A coragem em se desnudar ante ao público segue como grande trunfo desta mulher prodígio da música brasileira. Ouça aqui.


06) Ryan Adams - 1989
Alternative country / Rock

Chegando em ao décimo quinto álbum em quinze anos de carreira solo o também prolífico cantor optou por realizar em 2015 o que seria o passo mais ousado de sua carreira: recriar o álbum de uma aclamada cantora pop. A homenageada em questão foi Taylor Swift no seu aclamado e multiplatinado 1989. A sua maneira, Adams reconstrói todo repertório do disco transformando, por exemplo, o hino jovial "Shake it off"  numa delicada balada. O mesmo acontece em "Out of the woods" cujo arranjo robótico original é revertido para um belo formato acústico. A dançante "Style" vira um rock de arena a la Bruce Springsteen. Acertadamente, o cantor consegue trazer para o campo adequado e real as letras tristonhas de Swift que surgem apagadas quando associadas aos arranjos originais. Ouça aqui.      


05) Karina Buhr - Selvática
Dub / Reggae / Punk / Pop

Em seu terceiro, e melhor, disco Karina Buhr segue como exploradora musical, desbravando territórios com ares multifacetados. Produzido pelo quarteto Bruno Buarque, Mau, André Lima e Victor Rice, em Selvática a cantora segue versando sobre as dores do mundo. Nesta seara se destacam os hinos femininistas "Eu sou um monstro", a faixa título e a ótima "Pic nic"; a relação de amor e ódio ante a cidade de Pernambuco em "Cerca de prédio" e a ode sobre a fome em "Alcunha de ladrão". Tudo embebido em doses homeopáticas de reggae, dub, punk e pop com o apoio de mestres Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Edgar Scandura (Ira!), Elke Maravilha (!?), a banda Devotos e o trompetista Guizado. Baixe gratuitamente aqui.


04) Jair Naves - Trovões a me atingir
Rock / Folk    

Cada vez mais distante dos tempos verborrágicos de liderança do grupo Ludovic (que voltou esse ano com apresentações esporádicas), Jair Naves vai de encontro a serenidade em Trovôes a me atingir. Composto por nove faixas, o segundo e curto álbum solo prima pela linearidade musical. Por mais que suas letras ainda estejam em sua zona de conforto (em sua maioria em ode a tristeza quotidiana), o caráter solar sonoro predomina. As pungentes "Resvala" e "Em concreto"; a cadenciada "Incêndios", o dueto com Barbara Eugênia em "B." mais a bucólica e a esperançosa "Prece atendida" são alguns exemplos deste novo direcionamento. De maneira tocante, Naves segue (tal como na sua estreia solo) utilizando a sua potente voz para falar sobre as agruras da vida de coração aberto. Baixe gratuitamente aqui.


03) Kendrick Lamar - To pimp a butterfly
Hip - Hop


Em seu terceiro álbum o rapper norte-americano Kendrick Lamar , mais uma vez, tira o gênero do marasmo. Em To pimp to a butterfly Lamar promove, tal como os geniais A tribe called quest, uma autêntica aula sobre a música negra ao dialogar suas batidas e rimas sobre o quotidiano com samples de bambas como James Brown, Isley Brothers, Michael Jackson ou ao incorporar elementos do jazz e do funk. Singles como "The Blacker the berry", "Alright", "King Kunta" e "These walls" compravam o largo talento deste "garoto prodígio" que alcança neste álbum o que de melhor a cultura hip hop pode oferecer. A participação de ícones da velha guarda como George Clinton (Parliament/Funkadelic), Snoop Dogg, Dr. Dre e da nova como Pharrell Williams só comprovam o status de grandiosidade alcançado aqui. Ouça.


02) Sleater Kinney - No cities to love
Rock
           

Após de 10 anos de hiato o Sleater Kinney volta com tudo em No cities to love. O trio norte-americano formado por Carrie Brownstein (guitarra e voz), Corin Tucker (guitarra e voz) e Janet Weiss (baterista)  celebra o retorno em ótimo disco composto por faixas pegajosas ("Hey Darling" e a faixa título), pungentes ("A new wave" e "Price Tag") e viscerais ("Surface Envy"). Merecidamente, o álbum figura em quase todas as listas de melhores. Ouça em alto e bom som (de preferência lendo a recém lançado bio de Carrie) aqui.


01) Elza Soares - A mulher do fim do mundo
Rock / Rap / Samba


É inevitável deixa de lado este grande disco de Elza Soares. Escudada pelo nova guarda da música brasileira (leia-se Rômulo Fróes, Celso Sim,  Rodrigo Campos, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral entre outros) em A mulher do fim do mundo Soares surge renovada e cheia de novos truques. Sonoridades como rap, rock e o samba conduzem o olhar contemporâneo. Livre e sem papas na língua, a cantota fala sobre a violência contra a mulher ("Maria da Vila Matilde"), a sensualidade e o sexo ("Pra fuder"), a malandragem ("Firmeza"). A urgência sobre seguir cantando até a sua morte, ilustrada na faixa título, resume a temática deste grande e atemporal disco. Ouça aqui.

One Response so far.

  1. SALVE! SALVE!
    AMANTES DA BOA MÚSICA BRASILEIRA.
    PARABÉNS PELAS ESCOLHAS.

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