terça-feira, 5 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Lucas

2 comentários

Pois bem, mais um ano se foi e dele ficam só as estórias - e são justamente elas que proponho remontar aqui nesse TOP 10, em sua maioria narrativas melancólicas, cada qual a sua maneira, fantasiada ao seu modo, escondidas por detrás de sonoridades e gêneros musicais. Não importa. Cada álbum escolhido para essa pessoal e singela lista tenta contar uma história, a sua maneira, com sua linguagem e estéticas próprias. Desde a neo psicodelia até o blues, o indie, o rap, o samba, a MPB: macumbas por amores malditos, e intimidades reveladas em forma de canção, nada aqui escapa da boa e velha narrativa. Reconstruída e musicada. Enfim, aqui estão as 10 narrativas que me prenderam em sua magia no ano passado. 


10) Miley Cyrus - Miley Cyrus And Her Dead Petz
Pop / Experimental / Neo Psicodelia

Hannah Montana que me perdoe, mas eu adoro o que a Miley Cyrus se tornou. "Bangerz" para mim já foi um álbum muito bem pensado conceitual e musicalmente, rompendo totalmente com os esteriótipos de filhinha do papai/ garota do interior. "Dooo It!" e "Karen Don't Be Sad" me pegaram pela mão e me conduziram para apreciar o restante dessa jornada lisérgica arquitetada pela Miley e pelo pessoal do The Flaming Lips. Embora, para mim, o álbum seja um pouco longo, nada disso o faz sair desse TOP 10. É um ótimo registro, esquisito, chapado, nostálgico, enfim, pontos para Miley por conseguir ser sutil e delicada  como em "The Floyd Song (Sunrise)" e festeira-party-hard-chapada em "Slab of Butter (Scorpion)", parabéns a ela!

Ouça: YouTube

09) CLAIM - Jesper Munk
Garage Rock / Blues / Folk Rock

Desde o  "For In My Way It Lies", aguardo ansioso novos trabalhos do Jesper Munk. "CLAIM", aparece para mim mais forte e potente que o álbum anterior, que já fora resenhado por mim aqui, embora eu momento algum perca sua essência mais delicada, como presente na faixa "Soldiers Of Words", que vem logo atrás da contagiante "Ya Don't Have To Say Goodbye", funcionando muito bem as duas em aproximações, mostrando logo na abertura do álbum todas as marcantes características do Munk. O álbum conta com 22 faixas, umas do álbum anterior gravadas ao vivo, como a belíssima e dolorosa "Lady River Song". "CLAIM" é um ótimo registro e para os admiradores de um bom e tradicional blues é um prato cheio.

Ouça: Spotify

08) Father John Misty - I Love You, Honeybear
Indie / Folk / Alternativo

Vamos expor todas as nossas dores, mágoas e cantar com e para elas! É o que o Sr. John Misty, esse personagem criado pelo Joshua Tillman vem nos dizer com o seu "I Love You, Honeybear". Musicalmente o álbum me arrebata logo na primeira faixa, as cordas e a voz em progressão, a sinceridade, o sarcasmo, a intimidade, tudo é tão bem colocado logo na faixa-título que ela funciona como um belo resumo do que está por vir. A poética e temática do álbum casam muito bem com o instrumental, os metais, a percussão, o ritmo, tudo é tão envolvente nesse mundo sacana e dolorido, drogado e pervertido que não tinha como não incluir esse álbum aqui. Um dos melhores do ano, sem dúvidas.

Ouça: Spotify

07) Ryan Adams - 1989
Indie Rock / Alternativo

Considero o "1989" da própria Taylor um álbum marcante dentro da cultura pop - fora ela a responsável (com mais algumas cantoras) por fazer ressurgir uma estética oitentista na música pop comercial. Pois bem, chegado o já finado ano de 2015, Ryan Adams e toda sua desenvoltura resolve regravar todo o álbum da Sra. Swift, atitude ousada e certeira, vale ressaltar. As composições nos domínios estéticos do Adams se reinventam e soam, em alguns momentos, até mais adequadas a sonoridade que ele coloca em cada faixa. Destaque para "Blank Space", "Welcome To New York", "Style" e "Bad Blood", tornam-se joias raras no lirismo do Ryan.


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06) Rodrigo Ogi - R Á!
Hip Hop / Rap 

O melhor álbum de rap nacional do ano. Criado como se fosse uma visita ao analista, Ogi se aventura em uma lírica que se aproxima muito da crônica e da ficção, presentes muito forte em "Correspondente de Guerra" e "Ponto Final": ele cria personagens, transforma a si próprio em um, aliás, discorre sobre temas sociais de uma forma bem consciente e original. A musicalidade das faixas acompanha muito bem o que está sendo cantado, como em "Estação da Luz", ele transita por outros gêneros musicais com bastante desenvoltura, mas sem em momento algum ser taxado de MPB; ele consegue fazer com o que o rap que cria aglutine outras influências sem perder a própria essência.

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05) Esteban - Saca La Muerte de Tu Vida
Pop Rock / Rock Platino 

O álbum em questão já fora resenhado por mim aqui. Lembro que na semana que o álbum foi lançado eu não conseguia parar de ouvi-lo, ainda mais as duas versões de "Chacarera da Saudade", a segunda contanto com uma incrível participação do Pirisca Grecco, que comanda os vocais. O SLMDTV, para mim vem coroar o Tavares como um dos ótimos compositores e intérpretes que temos no cenário mainstream nacional, ele é fiel a suas raízes, estéticas e essências, só isso já é louvável nos dias de hoje. "Saca La Muerte de Tu Vida" se apresenta, para mim, como um dos mais coerentes registros nacionais desse ano: um punhado de morte em sua melhor concepção dentro de vidas (e álbuns) um tanto vazios. Um grande punhado do que o Tavares quer nos dizer -  e nos ocultar - e deixar que ecoe em nossas mentes e fones de ouvido.

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04) Johnny Hooker - Eu Vou Fazer Uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito
MPB / Glam Rock


Já disse aqui que o Johnny é uma catarse. Sem muitas delonga, só quero deixar frisado o quanto esse álbum é dolorido: as faixas emanam tragédia, narram sobre amores perdidos e reconciliados, sobre sexo, paixão e tesão. O álbum não tem vergonha alguma de se enfurnar em um buraco e não conseguir sair, aliás, esse é um dos méritos dele! A estética do Johnny advém de várias referências, vai do glam rock a música brega numa passagem de faixa - e isso é o que dá mais luz a toda essa poética transgressiva e catártica que nos é apresentada no álbum. Destaque para "Você Ainda Pensa?", porque essa faixa dói do primeiro acorde até o último segundo.


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03) Carly Rae Jepsen - E.mo.tion
Pop



Sim, isso é um álbum pop bem comercial, da menina que anos atrás lançou "Call Me Maybe", na terceira posição do meu top e bem, isso não é novidade para ninguém, afinal, eu escuto sim esse tipo de música. O diferente aqui é que a Carly Rae Jepsen está muito bem produzida, com uma sonoridade muito trabalhada, evocando uma aura oitentista em seu álbum (é só repararem no início de "Run Away With Me", faixa que abre muito bem o álbum, aliás), com um pop dançante que em momento nenhum se torna piegas, que não subestima seu público alvo em momento algum. Isso sem contar nos ótimos clipes advindos de músicas do álbum. Um para a faixa "I Really Like You", estrelado por um simpático Tom Hanks, quase um viral de tão viciante e o outro dirigido pela já badalada diretora Gia Coppola, esse segundo para a faixa "Your Type". "E.mo.tion" tem sido um poço de criatividade e suspiro para a música pop comercial atualmente, o álbum evoca ares de "1989" da Taylor Swift, além de beber em diversas referências como Robyn, Kimbra, La Roux e Dragonette, isso segundo a própria Carly, tudo bem pensado para fechar seu trabalho em ares nostálgicos. Bem, para encerrar aqui só quero mesmo dizer que todo o boom que vem sendo criado na música pop atualmente em torno da figura da Carly tem um propósito: ela apresentou um trabalho maduro, repleto de referências diferenciadas e eu continuarei de olho nela, ansiosamente aguardando mais.

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02) Sufjan Stevens - Carrie & Lowell
Folk / Indie / Country



Para mim é extremamente difícil escrever qualquer coisa sobre esse álbum do Sufjan Stevens. Primeiro porque admiro artistas como ele, que conseguem criar universos dentro de universos, narrar da maneira que quiser as estórias e histórias que lhe convir - e é isso que ele tem feito em toda sua carreira; ele tem contado histórias. Bem, não conhecia o trabalho dele a fundo, mas graças a "Carrie & Lowell", passei a pesquisar um pouco das criações dele. Nesse álbum Sufjan nos conta a sua própria história, transformando-a em uma espécie de ficção autobiográfica, mas criada a partir da morte de sua mãe, Carrie, morta em 2012, em decorrência de câncer. Esquizofrenia, alcoolismo e depressão marcaram a vida de Carrie e Sufjan, com toda a sua sensibilidade, nos canta sobre a vida dela a partir de uma ótica infantil, subvertendo tempo e espaço, não sendo linear em sua narrativa, apenas nos encantando com a sensibilidade de suas cordas e de sua voz que nos faz mais íntimo ainda da trajetória do casal que dá título ao álbum (Lowell é a outra metade do casal, padrasto de Sufjan, casado com a mãe dele na época em que mãe e filho se reencontraram). O registro funciona como uma espécie de confessionário onde Sufjan Stevens e toda sua poética comedida declamam com sinceridade a vida desses dois estranhos para nós. Começamos com a morte de Carrie com "Death With Dignity", que inicia mesmo sem saber como, como dizem os versos, a suavidade da voz e das cordas, sempre ali, companheiras, nunca gratuitas, sempre presentes na sonoridade que é muito bem-vinda para o tom intimista que o álbum carrega. Cpmo já fora dito é difícil para mim passar por mais faixas do álbum porque no fundo elas se entrelaçam e tornam-se um grande corpo; uma grande narrativa que transcende (como o fim de "Drawn To The Blood") - é um lindo, sincero, dolorido e melancólico álbum, e cada adjetivo só me faz admirar mais e mais o presente que Sufjan Stevens nos deu no ano passado.

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01) Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo
Samba / Samba-rock / Rap / Jazz / Vanguarda Paulista / Rock



"Me deixem cantar até o fim", por favor. Iniciado com uma poesia musicada de Oswald de Andrade, "A Mulher Do Fim Do Mundo", desde a primeira ouvida se tornou, para mim, o melhor álbum do ano. O time de produtores e compositores por detrás da figura da Elza Soares a fizeram brilhar e soar mais alto, como uma fênix fizeram-na ressurgir das cinzas nesse primeiro álbum de inéditas com o melhor registro do ano, para mim. Temática social, sexo, negritude, força feminina, nada escapa do lirismo e da voz emblemática da Elza. Um álbum sofrido como a vida, mas também muito verdadeiro, único, assim como a vivência de uma mulher, artista, negra no Brasil contemporâneo. Só tenho que aplaudir e agradecer por essa criação, por poder ser tocado por música tipicamente nacional, com nossas referências e moldes, por mais que a mídia nos empurre sertanejos universitários e pagodes repetitivos: temos Elza, temos uma mulher que se só quer cantar até o fim, e por favor, deixem-na cantar! O álbum já fora resenhado na íntegra por mim aqui, Repito aqui as palavras que disse na resenha: "A Mulher Do Fim Do Mundo" é também uma Menina que Dança - é o multiculturalismo brasileiro reafirmando suas raízes, reafirmando sua negritude, usando aqui como exemplo as batidas da faixa "O Canal", sua identidade; sua voz. No fim desse mundo que não ainda não acabou só me sobra um vazio dentro do peito - assim como o vazio que o álbum também apresenta - e a sensação de que os deuses estão errados: a humanidade não é imagem e semelhança, é carnaval.

Ouça: Spotify

2 Responses so far.

  1. Anônimo says:

    MUITO LEGAL SUA TOP LIST. :D PARABÉNS PELO BOM GOSTO.

    - Juan -

  2. Encontrei muita coisa ai que me fizeram pensar " como eu pude viver sem ouvir isso antes ". Destaque para jesper munk.

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