sábado, 9 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Marcos Alves

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2015 foi um ano estranho em sua totalidade. Também foi um ano onde expandi meus horizontes musicais e o terminei escutando coisas que eu não imaginaria no começo. Foi o ano em que, finalmente, comecei a me aprofundar no hip hop e suas vertentes. Bem como o Black Metal, gênero que me arrependo de não ter dado mais atenção antes.

Sem muita enrolação, essa é a minha lista de melhores discos de 2015.


10) Pusha T - Darkest Before Dawn: The Prelude
Hip Hop

Darkest Before Dawn, segundo disco do rapper norte americano Pusha T, serve como um prelúdio, como o próprio nome indica, para o release a ser lançado em abril deste ano. A primeira coisa que me atraiu neste disco foi sua capa, trabalho do fotógrafo Fabien Montique.

O disco impressiona pela qualidade da produção, das batidas e letras ácidas. Darkest Before Dawn tem apenas um ponto negativo, a faixa "MPA", que não coincidentemente conta com a participação de Kanye West. A faixa soa deslocada e bem inferior as demais.

Ouça: Spotify

9) Drenge - Undertow
Garage Rock

Quando o Drenge surgiu, vindo de uma pequena cidade no norte da Inglaterra, com seu primeiro disco era difícil não se render ao então duo formado pelos irmãos Eion e Rory Loveless.

A banda cresceu, viu o mundo, excursionou com grandes nomes, tocou em grandes festivais e agora conta com mais um membro. A forma que essas mudanças afetaram os irmãos Loveless fica bem clara em Undertow um disco que tem como maior trunfo o fato deste ficar cada vez mais denso, sombrio e pesado a cada música. É fácil perceber a atmosfera do disco se transformando, o que torna de Undertow uma metáfora para a passagem da fúria adolescente para as nuances complexas da vida adulta.

Ouça: Spotify

8) Wand - Golem
Noise Rock / Psychedelic Rock / Garage Rock

Uma miscelânea de gêneros como Garage Rock, Grunge, Noise, Punk e Psychedelic Rock convergindo em uma explosão surreal de guitarras barulhentas. Essa é uma ótima definição do que os californianos do Wand apresentam em seu segundo disco, o viciante Golem.

Invocando ecos de seus influenciadores, como o Black Sabbath e o Melvins, o Wand cria uma atmosfera sonora embasbacante. Em contrapartida ao seu sucessor, o decepcionante 1000 Days, também lançado em 2015.

Músicas como "Self Hypnosis In 3 Days" e "Flotating Head" esbanjam peso e originalidade, rendendo o ouvinte a magia da banda logo na primeira audição.


Ouça: Spotify

7) Joey Bada$$ - B4.Da.$$
Hip Hop

B4.Da.$$ é o disco de estreia do rapper norte americano Joey Bada$$. O jovem de 20 anos soa, por vezes, old school durante o álbum, o que mesmo não sendo exatamente um ponto negativo atrai certas críticas ao artista.

O disco abre com Joey sendo apresentado a uma plateia na introdução da faixa "Save The Children", que após a breve "Greenbax" chega a um dos destaques do disco "Paper Trail$".  B4.Da.$$ traz ainda grandes músicas como "Big Dusty", "No. 99" e "Christ Conscious".

Ouça: Spotify

6) Jamie xx - In Colours
Downtempo / Deep House

In Colours é o primeiro disco solo de Jamie xx, mais conhecido por seu trabalho na mega banda indie The xx. Fruto de um trabalho de 5 anos In Colours mescla estilos diversos como House, Rave, Deep House, Downtempo e Uk Garage, resultando em album rico e completo.

O disco conta com participações de sua companheira de The xx Romy nas faixas Seesaw e Loud Places. O que faz com que essas músicas soem semelhantes demais ao The xx. Mas nada que tire o brilho deste disco.

Ouça: Spotify

5) VI - De Praestigiis Angelorum
Black Metal

Formado por membros de bandas já conhecidas na cena local, os franceses do VI lançam o seu aguardado debut. Originários de um local onde não se espera esse tipo de som, o VI apresenta um disco sólido, cru e direto ao ponto.

De Praestigiis Angelorum é recheado de melodias consistentes que remetem diretamente as origens do estilo, mas mixados de uma forma onde todos os elementos da banda são perfeitamente audíveis.

Vale ainda ressaltar a beleza desta capa.

Ouça: Bandcamp

4) Grave Babies - Holographic Violence
Post Punk

Holographic Violence é o quarto disco dos americanos do Grave Babies. A banda originária de Seattle apresenta neste release uma mudança substancial em sua sonoridade, passando de uma banda de Garage Rock para um som mais próximo ao Post Punk. Uma mudança, sem dúvida alguma, positiva.

Explorando temas niilistas e com influências claras de bandas como Sisters OF Mercy e Bauhaus, Holographic Violence é um disco viciante. Recheado de músicas pesadas, mórbidas e com sintetizadores muito bem usados.

Holograhic Violence é um disco carregado de temas desesperançosos e pesados. Ironicamente, a citada mudança na sonoridade é passo importante para o futuro da banda.

Ouça: Spotify

3) Death Grips - The Powers That B: Jenny Death
Experimental Hip Hop


O Death Grips é uma banda estranha, disso não há dúvidas. O Death Grips também é uma banda difícil de acompanhar. Cancela shows, cancela tours inteiras, lança disco surpresa, lança disco instrumental, acaba, volta e enrola meses pra lançar um disco.

A segunda parte de That Powers That B, Jenny Death, é o disco em questão. Após uma breve decepção em Niggas On The Moon, disco que contava com samples da cantora Björk em todas as músicas, um grande ceticismo rondava o lançamento de Jenny Death. Talvez o tempo do Death Grips já tivesse passado. A banda não empolgasse mais. Tivesse virado coisa do passado. E então surge na internet o aguardado disco.

"I Break Mirrors With My Face In The United States", "Inanimate Sensation" e "Turned Off". Basta essa sequência inicial absurda para a banda mostrar que dessa vez, no linguajar popular, o buraco era mais embaixo. Bem mais embaixo.

Jenny Death mostra um Death Grips estranho, barulhento e é exatamente o que os fãs esperavam. Com uma produção impecável a segunda parte de The Powers That B é um disco embasbacante e um lembrete de porque amamos tanto a banda.

Ouça: Spotify

2) Mgła - Exercises In Futility
Black Metal


Um ano se passou desde que The Satanist do Behemoth figurou nesta mesma segunda posição na minha lista de melhores discos do ano e eu ainda não sei escrever sobre Black Metal adequadamente.

Exercises In Futility é o terceiro discos dos poloneses do Mgła. O disco consiste em seis músicas com o mesmo nome, Exercises In Futility, em pouco mais de quarenta minutos de um Black Metal cru perfeitamente balanceado com melodias incríveis.

Com uma visão pessimista típica do estilo Exercises In Futility é um disco que preenche todo o ambiente com sua atmosfera caótica, e desesperançosa. Com riffs consistentes e uma bateria ensurdecedora este é um disco que deve ser ouvido alto. Bem alto.

Ouça: Youtube

1) Chelsea Wolfe - Abyss
Noise Rock / Doom / Industrial



Conheci a Chelsea Wolfe tardiamente, poucos meses antes do lançamento deste disco. Não foi difícil me apaixonar por Pain Is Beauty, o antecessor de Abyss. A sequencia inicial do disco era assustadora. Feral Love, We Hit A Wall, House Of Metal e The Warden são músicas impressionantes e me fizeram procurar, imediatamente, por mais e mais trabalhos de Chelsea Wolfe. Não demorou muito para o anúncio de um novo disco surgir.

Em Pain Is Beauty a artista extrapola os limites da própria música. O disco foi elogiadíssimo por público e crítica e é um marco em sua carreira. Aqui reside o problema número um. Não faltam exemplos de artistas que ao lançar um ótimo disco acabam por decepcionar em seus lançamentos posteriores. Tenho certeza que o leitor está pensando em um desses exemplos nesse momento.

Em outro plano, Pain Is Beauty não era um disco típico de Chelsea Wolfe. Em uma entrevista para a radio norte americana KEXP, Chelsea chega a mencionar que cogitou lançar o disco como um projeto paralelo. E esse era o problema número dois. O seu melhor disco, até então, era diferente demais.

Em meio a ansiedade gerada pelo anúncio do lançamento de Abyss e as expectativas altíssimas geradas pela qualidade dos trabalhos anteriores, surge o primeiro single deste disco, Iron Moon. Uma música que tem seu peso inicial interrompido por sussurros calmos e penetrantes, que logo implodem em um refrão grandioso. Iron Moon te acolhe em uma atmosfera post rock absurda. Alimentando mais a ansiedade pelo disco.

Abyss é um disco sufocante e desesperador ao mesmo tempo que conforta o ouvinte, imergindo em sua atmosfera e é este contraste que, trabalhado da forma que foi, torna esse um disco tão belo. O disco abre com a pesadíssima Carrion Flowers o que deixa claro desde o começo o rompimento com o som apresentado em Pain Is Beauty, assemelhando se mais aos trabalhos anteriores, mesmo que, no final das contas, haja uma grande diferença entre estes.

O disco é recheado de melodias de beleza ímpar, por vezes atingindo uma profundidade que parece ultrapassar as barreiras da música, se é que isso faz algum sentido. Maw, After The Fall e Simple Death são os exemplos mais claros disto. E por mais que algumas músicas possam parecer muito simples, em uma audição mais atenta, é possível perceber diversas camadas sonoras escondidas, criando canções poderosas e belas.

Todas as expectativas foram superadas.

Ouça: Spotify

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