quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Matheus Saez

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O pouco contato que tive com os lançamentos de 2015 foi altamente compensado pela magnifica qualidade da musica produzida nesse ano. Tive uma oportunidade grande de aumentar minha gama de gêneros musicais e o fiz. Me apaixonei mil vezes por alguns dos discos pelos quais esperei ansiosamente o dia de estreia ou por um em especial que me tomou de surpresa e me encantou como só ele poderia.

Mas cortando a conversa antes que ela se prolongue muito, gostaria de anunciar minha volta ao site depois de um ano sem trazer novidades ou reviver tesouros antigos. Pretendo manter um ritmo mais frequente por aqui nesse ano que começa e aproveitar para exercitar meus conhecimentos culturais musicais.

Voltando ao top10 2015, eu estou muito contente com a lista que fiz, mas devo dizer que a ausência de títulos nacionais me deixou decepcionado, e a culpa é completamente minha. O Brasil também foi fonte de ótimas produções musicais no ano passado, algumas listas já postadas trazem nomes incríveis, como vale a pena conferir!


10 - Shining - Everyone, Everything, Everywhere Ends
Black metal / Depressive Black Metal

Shining, com sua música, produz movimentos oceânicos, que trazem encantamento tanto por sua violência e poder esmagador quanto sua maestria em invocar a melancolia com suas melodias calmas e fixantes. Isso não é surpresa para ninguém que acompanha os últimos lançamentos da banda; Redefining Darkness e Everyone, Everything, Everywhere, Ends. O último é realmente uma obra prima da banda, trazendo, em apenas 39 minutos de música, sentimentos fortes de negatividade e tristeza, e claro, violência.

A banda assume com o novo lançamento a continuidade de um formato já começado no penúltimo disco lançado. Redefining Darkness trouxe, além de polemica, um Depressive Black Metal (mesmo que contra os dizeres da banda) em uma forma mais particular da banda. Até talvez mais maduro e complexo. Everyone, Everything, Everywhere, Ends é fiel à essa nova imagem da banda, realizando com suas seis faixas um trabalho mais do que digno de ser lembrado através do tempo. Esperemos a continuidade dos lançamentos da banda!




9 - Theodor Bastard - Vetvi
Folk / Ethno-Goth / Trip Hop

Theodor Barstard é um quinteto russo, de St Petersburg, que produz com altíssima qualidade um dos sons mais alternativos que já ouvi. Eles não são facilmente colocados em um gênero musical, tendo primeiras produções inclinadas pro noise/eletrogoth/trip hop a banda segue fazendo experiências musicais incríveis. 

Vetvi, o lançamento de 2015 da banda, é uma obra linda que merece bastante atenção ao ser ouvido. As faixas são apaixonantes, e mesmo com a barreira linguística, as musicas são profundas e abraçam o ouvinte com vontade, sendo difícil esquecer as melodias cantadas e tocadas.  
  
O álbum é com certeza uma das mais belas produções do ano de 2015, recomendado!




8 - Windhand - Grief's Infernal Flower
Stoner Doom

Stoner Doom! E dos bons. Os americanos do Windhand são um sinônimo de satisfação quando se trata de ouvir um som arrastado, distorcido e pesado. O novo cd do grupo chega a ser um material visceral em nível de psicodelia, levando os mais desinformados à viagens sem volta. Com suas canções longas e vocais confortáveis e lentos, é incrível como a banda atinge um ponto certo de equilíbrio entre os elementos compositores do gênero executado por eles.

Apesar de não passar por drásticas mudanças nas técnicas e na estética musical, de forma geral,  entre os últimos álbuns, Windhand é sem duvidas uma banda que solidifica seu material a cada lançamento produzido. Com Grief’s Infernal Flower não é diferente, dando cada vez mais peso ao nome da banda, o disco tem mais empenho nas partes acústicas e nas elaborações de combinação com a parte elétrica. Claro que é muito importante citar que Dorthia faz um trabalho mais uma vez magnifico com seus vocais, que para evitar a palavra monotonia, inspiram paz e contrasteiam o peso das guitarras tão conflituosas.

Grief’s Infernal Flower é uma das melhores  obras produzidas em 2015 por carregar tão bem a identidade de todo um gênero e inspirar, no imaginário de quem escuta, cenários tão complexos e fantásticos.




7 - Corpo-Mente - Corpo-Mente
Avantgarde / Noise / Post Rock

Corpo-Mente é uma charmosa mistura onírica dos sentidos. Uma nova perola que nasce na concha chamada Gautier Serre. Também conhecido como Igorrr, fama resultada de seu projeto musical homônimo e começado em 2004. Conhecido por sua forma de colocar num mesmo álbum diversas tendências musicais, o compositor francês não deixa por menos nesse novíssimo projeto que trás musicas tão sensíveis. Preocupa-se com a estética dos sons a ponto de que as mudanças rítmicas e atmosféricas não causem danos à percepção de quem ouve. É quase como se fosse um pós-Igorrr, um Igorrr menos pesado.  Não confunda essa sutileza com falta de passagens agitadas e comoventes. Corpo-Mente é um caminho sem volta tão perigoso quanto qualquer droga.

Como em Igorrr, Gautier conta mais uma vez com convidados mais que especiais e músicos talentosíssimos. Nesse caso, quem assume definitivamente o microfone é, ninguém menos, que a cantora barroca Laure Le Prunenec. Seus vocais que dão cores e ilustram as letras abstratas e fazem, sem duvida, com que a música produzida pelo grupo seja algo transcendente à qualquer estado de espirito. As letras, como em OxxO XooX, outro projeto paralelo de Gautier, são em algum código especial feito por ele mesmo.




6 - Logic - The Incredible True Story
Rap / Hip Hop /

Logic me foi apresentado por um amigo que é com certeza o responsável por eu gostar de rap o tanto que gosto hoje. Meu primeiro contato com o rapper foi por seu último lançamento: The Incredible True Story. Logic acaba de produzir seu segundo disco em estúdio graças à Def Jam e Visionary Music Group, depois de anos trabalhando em mixtapes independentes, Logic continua com sua equipe de amigos.

The Incredible True Story é definido por seu autor não como um disco, mas como um filme, e no lugar de faixas, tem cenas. Trata-se do efeito do álbum carregar a narrativa épica de ficção cientifica sobre uma base espacial com 5 milhões de humanos, os últimos sobreviventes da Terra. Num futuro não muito próximo os seres humanos terão destruído o planeta o suficiente para que seja necessário evacuar e procurar um próximo lugar para habitar, chamado Paradise no disco. A sensibilidade de algumas “cenas” é interessante, como em “Lucidity (Scene)” na qual este dialogo é escutado:

Kai: O que você quer ser quando você crescer?
Thomas: *Ri* Honestamente, um músico
Kai: O que?
Thomas: Eu sei cara, doido né!?
Kai: Nah, o que é louco é que música original não tem sido feira desde a Terra
Thomas: É cara. Lucidez
Kai: O que?
Thomas: Naquela época pessoas tinham sonhos e os alcançavam num estado de consciência plena….





5 - Puscifer - Money Shot
Industrial Rock / Rock Alternativo / Trip Hop

Puscifer é um projeto paralelo de Maynard J. Keenan, como muitos diriam, mas para mim, por ser a banda dele que mais escuto, é seu trabalho de maior importância. Os tão aguardados discos de Tool e A Perfect Cicle abrem espaço para uma nova perola do compositor com sua banda: Money Shot (ou Money $hot). Keenan investe pesado dessa vez no seu projeto mais pessoal, e faz algo realmente interessante e talvez mais serio do que o que fora lançado anteriormente.

Justo pela natureza mais pessoal do grupo Puscifer, as obras espelham mais o senso de humor e experiências sonoras de Maynard, sem muita preocupação com a estética da banda ou manter um gênero uma vez imposto. Puscifer é versátil e naturalmente levada à sonoridades semelhantes ao Industrial Rock/Indie Rock, não deixando com que ela fique muito distante do gosto dos fãs de A Perfect Cicle ou Tool.

Algo a se observar é a seriedade colocada nesse disco do Puscifer, que até então sempre foram mais cômicos. Claro que o humor acido de Maynard ainda circunda a musicalidade do álbum, mas agora com um som e letras mais maduras do que as oferecidas em “V” is for Vagina e “Conditions of My Parole”.  O andamento do disco continua deliciosamente dançante e também melancólico, como antes, o que marca o trabalho de Puscifer.

Money $hot é um verão depois da primavera que Conditions of My Parole foi. E vale a pena conferir esse álbum.




4 - Paradise Lost - The Plague Within
Death Metal / Doom Metal / Gothic

Violento e denso The Plague Within foi meu disco porta de entrada para conhecer Paradise Lost. Arrependido por ter levado tanto tempo para escutar o trabalho desses caras, tento aqui me redimir indicando um dos melhores discos do ano, o lançamento deles. O álbum já conquistou seu merecido lugar em inúmeros tops de venda e criticas de diversas nações. O decimo quarto cd do grupo britânico trás as raízes death/doom de volta para os fãs.

Com seus 50 minutos de música, Paradise Lost consegue mostrar uma boa produção valorizada pela boa execução dos músicos e a composição tão cuidadosa. The Plague Within trás consigo uma caminhada pesada e sombria na sonoridade de suas músicas. Um bom exemplo é o riff de Beneath Broken Earth, que entre outros, é marcante e sufocante ao ponto de ilustrar nos mais leves devaneios a escuridão total.

The Plague Within é mais uma vítima de um trabalho bem feito por seus idealizadores. Realmente um disco bonito, que se destaca entre muitos e divulga bem a boa música de Paradise Lost.




3 - Peste Noire - La Chaise Dyable
Black Metal / Avantgarde
                

Peste Noire ilustra com perfeição a beleza do feio. O lado pútrido, desgastado e marginalizado de algo que é muito belo e delicado. A banda com toda sua sombria e controversa forma de trabalhar consegue, com nitidez, reviver um lado submundano e cru de uma cultura que hoje se tornou uma das mais clássicas. É também importante ressaltar que a banda ressalta seus pontos de vista nacionalistas, sobre tudo arcaístas de lidar com a realidade francesa. La Sale Famine de Valfunde comanda a produção, a estética musical, letras e vocais da banda. A banda se diz contra manifestações modernas da sociedade franco-europeia em suas músicas. Apesar disso, o som produzido é sem duvidas, criativo e único.

A banda segue um gênero tão próprio quanto possível, seria talvez o Black Metal mais original que já ouvi depois dos lançamentos escandinavos que originaram o gênero. Com a adição de instrumentos tradicionais franceses, efeitos sonoros distintos e abordagem do folclore e musicalização de poesias francesas a banda assume uma abordagem avant-garde incrivelmente bem executada. O nível lírico e musical do grupo é de uma particularidade pitoresca.

Respeita-se fielmente a iniciativa da anti-boa produção, ao lançar discos crus e confusos com distorções altas e um senso mais humano do que técnico nos tempos e tons. Esses elementos contornam bem as letras das músicas que tantas vezes carregam sátiras, pessimismo e morbidez. Apesar dos temas lúgubres e da linguagem moderna e frequentemente vulgar, Peste Noire adota também clássicos franceses da poesia, escritos medievais ou cantos típicos, versos romantistas entre outros. Famine também costuma escrever em dialetos franceses ou em francês antigo algumas vezes, o que torna a estética musical muito visceral e própria.

La Chaise Dyable é o mais novo lançamento da banda, que carrega talvez o peso que é sair depois do último álbum homônimo do grupo que é um documento marcante para toda a trajetória dos músicos. Sempre famosos por mudarem o conceito entre os álbuns, porem, não se permitiram fazer nada pior ou igual ao álbum Peste Noire. Com sete faixas e aproximadamente uns quarenta minutos de música, La Chaise Dyable trás uma novidade: A banda aparece. Sim, com até um vídeo lançado para promover a faixa “Dans Ma Nuit”, que encerra o disco.

“Avant le Putsch” anuncia o disco com sons de animais num ambiente rural, o barulho de uma cerveja sendo aberta e servida, e então Famine começa. Dizeres vulgares e orgulhosos seguem por todo o álbum que segue violento, rasgado e rico em melodias profundas, que seriam doces, se não fossem proferidas em meio ao caos que é a construção musical de Peste Noire. É interessante ressaltar a faixa “Quand Je Bois du Vin” que é, novamente, adaptação de um canto clássico francês do século catorze. Dissonante e atordoante, o disco se faz remarcável.

Devo dizer que La Chaise Dyable completa o que até agora é uma das melhores obras musicais do nosso século; o trabalho de Peste Noire. 



2 - Sangre de Muérdago - Camiño das Mains Veleiras
Folk Galego / Neofolk

                    

Sangre de Muerdago é sem sombra de duvidas algo especial. A banda galega/alemã carrega uma proposta muito bonita e pouco abordada, a música celta da Galícia. Abordando a cultura pagã galega e todo seu folclore com enormes traços de filosofia anti modernista e pró arcaísta. As músicas são marcadas pelos dedilhados serenos e sopros melodiosos, violinos e cellos compõem a atmosfera da musica.  As letras em galego tocam a sonoridade do grupo com um ar de ancestralidade e magia inevitavelmente contagiantes. Entre cantorias do Pablo e os corais do grupo, perdemo-nos em poesia e imaginação. Uma resenha do grupo e do álbum “Dixademe Morrer no Bosque” pode ser lida nesse link.

Sangre de Muerdago não encara o papel de passar por grandes mudanças e inovações entre seus álbuns. Mas é de fato interessante a proposta artesanal e purista que eles defendem a cada vez que produzem algo. A banda é famosa por tentar aproximar o trabalho o máximo possível da natureza.

Camiño das Mans Veleiras trás oito faixas e aproximadamente uns cinquenta minutos de música. O álbum, como um todo, torna-se algo fundamental em certas horas do dia quando você não conseguirá pensar em nada além das doces melodias contagiosas e calmantes do disco. Obras como Noites de Treboada e Ollos Abertos, com a ausência de letras e grande presença melódica, trazem um cenário fantástico para quem as escuta. E d’outro lado, musicas como Xordas, segunda faixa, encantam pela poesia profunda e atenciosa de grande romantismo verso à natureza e a beleza das coisas.
Sangre de Muerdago mais uma vez lança um disco lindíssimo e necessário para a compreensão do homem como ser humano, que se impressiona, ama, vive pela arte e pela conexão real e fiel entre os laços da natureza.



1 - Dystopia Nå! - Dweller on the Threshold
Depressive Black Metal / Avantgarde

                     

Poucas palavras descreveriam a emoção que tive ao ver que Dystopia Nå! havia finalmente lançado seu, tão esperado por mim, segundo álbum batizado Dweller on the Threshold. A banda tem a habilidade de fazer música com sinceridade. A obra é quase palpável quando escutada. Dweller on the Threshold segue a imponência do primeiro trabalho da banda, aquele material que não se permite ser posto num plano de fundo, exigindo sempre atenção do ouvinte e imersão na proposta do disco. 

Os noruegueses mais uma vez fazem jus ao termo avantgarde com esse novo lançamento. O casamento de gêneros que habitam entre o doom, black e progressivo, da banda, atinge um som brilhante e moderno, que demonstra a proeza de se reinventar o peso e a sutileza. E eu acho impossível deixar de falar do design da capa desse disco como uma lindíssima obra. As imagens e logo, tudo incorporou bem a estética sonora do novo álbum, fazendo dele uma intertextualidade, no meu ver.

Com pouco mais que uma hora de música, Dweller on the Threshold leva o ouvinte a êxtase entre suas longas faixas cantadas em inglês que são divididas entre faixas menores, ás vezes instrumentais, ás vezes cantadas e também recitadas, como em Lucidity(PhaseII). 

O álbum se inicia com Doppelgänger, que dita desde já o conceito do CD, que trata de dualidade, narrando esses encontros com um doppelgänger, ser que toma a forma de outros seres. Então a banda se encarregar de nos colocar no clima que seguirá com as próximas duas faixas, Intruder/Ephialtes e Shadowcasting Horologe, que convocam Thorough Mirrors, Darkly, uma das melhores músicas do disco. O clima de paranoia já foi estabelecido pelas primeiras canções. Agora a viagem passa por um devaneio chamado Moment of Lucidity, que é prologo de Winding Stares Into Nothing. Meio do álbum; turbulência, as variações no humor dessa faixa são prazerosamente hipnotizantes, e então Lucidity (PhaseII). My Eyes Are the Atoms of the Sun é uma música de cores quentes e frias, que leva o equilíbrio perfeito para a passagem entre Cold is The Colour e The Final Encounter. 

Dweller on the Threshold tem um mérito enorme como disco que é de conseguir mexer com quem o escuta de forma sincera, solida e profunda.

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