sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
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Os Melhores Discos de 2015 por Rômulo Alexander

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Um hobby: fazer uma lista de melhores álbuns do ano. Aposto que você que está lendo também tem essa mania. Mas se for levado a sério, é um hobby impossível de ser executado. Segundo esta página, em 2010 foram lançados 75.000 álbuns só nos EUA. Quantos devem ter sido lançados em 2015, no mundo inteiro? Mais de 100.000, provavelmente. Impossível ouvir tudo isso num único ano. Listar os melhores álbuns é um trabalho por amostragem.
Por isso, tentei fazer uma lista abrangendo diversos estilos. Portanto, cada um dos álbuns abaixo não está aqui por si só, mas sim como representante de um estilo ou uma cena musical com grande destaque em 2015. Isso numa perspectiva bem pessoal, ok? Não consegui sair muito do Rock, nem do Metal. Vamos lá!



10) Nightwish - Endless Forms Most Beautiful  
Symphonic Metal / Female Fronted Metal / Gothic Metal

Nem todo mundo percebeu, mas o Nightwish trocou de vocalista mais uma vez. Floor Jansen, velha conhecida na cena pelo seu trabalho no After Forever, é quem assume a frente, sendo ela a grande novidade no recente álbum, "Endless Forms Most Beautiful". Com uma perfeita combinação de peso com melodias deliciosas, o álbum é prova de que Tuomas Holopainen não perde sua genialidade em fazer música, apesar de suas incessáveis tretas com as colegas de trabalho. Um dos detalhes mais interessantes do álbum é a temática das letras. Com um ponto de partida científico, as canções abordam as belezas da vida e da natureza, além de tirar um sarro dos pensamentos ortodoxos religiosos.



9) While She Sleeps - Brainwashed  
Metalcore / Hardcore / Progressive

Brainwashed é um álbum tão carregado de energia, que foi impossível deixá-lo fora desta lista. Apesar de não ser uma das bandas mais criativas do mundo do Metalcore e cia (tivemos outros álbuns bem legais este ano, começando pelo do Bring Me The Horizon), While She Sleeps fez um trabalho lapidado, cheio de quebras de tempos em riffs agressivos. Enérgico, enfim. Eu acredito que a banda tem a ganhar muita visibilidade, e tem potencial para fazer muito mais. 






8) And So I Watch You From Afar - Heirs
Post-Rock / Math Rock

Este é um dos álbuns mais feliz da presente lista. Com animadas melodias que chegam perto de uma sonoridade infantil, riffs agudos de guitarra, e momentos dançantes, este trabalho destoa com força do que tenho a apresentar abaixo. Mas não vou negar - a banda irlandesa, já bem conhecida, fez um excelente trabalho em seu novo lançamento. Majoritariamente instrumental, recheado de energia e evidente sinergia entre os elementos. Para balancear o clima divertido, posso citar dois outros grandes álbuns do rótulo "Post-Rock", mas com propostas bem diferentes: Godspeed You! Black Emperor - Asunder, Sweet and Other Distress, gélido como o Canadá e Caspian - Dust and Disquiet, belíssimo a começar pelo título.




7) Sarpanitum – Blessed Be My Brothers…
Death Metal


Este aqui é para a galera de gosta de umas pancadarias no ouvido. Sarpanitum é uma banda inglesa, composta por músicos já experientes na cena. O álbum foi escolhido para compor o Top10 representando um estilo que está vivendo um momento de fertilidade criativa - o Death Metal. É amirável que muitas bandas, principalmente no meio underground, vêm aprimorando o estilo. "Blessed Be My Brothers..." é completo: bateria infalível, guitarras rápidas e técnicas, estruturas originais, sem deixar de lado passagens atosféricas e momentos com um instrumental mais calmo e emocionante. 




6) Akhlys - The Dreaming I
Black Metal / Atmospheric Black Metal

Mais pancadaria! Eu não poderia deixar o Black Metal de lado. Foi tanta coisa boa lançada em 2015, que se eu fosse citar, encheria todo este espaço com nomes de álbuns. Vou me contentar em dizer que do Black Metal mais cru ao mais sensível, não faltou inspiração. Escolhi "The Dreaming I", concebido pelo líder da banda Nightbringer, para representar essa categoria. A beleza do álbum já se manifesta na capa. A sonoridade é tão perturbadora quanto bela, intensa e profunda, exatamente como se espera do estilo. Nada de extraordinário, mas tudo na perfeita medida. Sem afastar os principais elementos do Black Metal, a música se aproxima de recintos atmosféricos e progressivos, resultando num atroz pesadelo. 



5) A Swarm of the Sun - The Rifts
Progressive Rock / Post-Rock / Atmospheric


E a coisa vai ficando cada vez mais séria... "The Rifts" é um trabalho que merece ser apreciado com carinho. É música que se sente mais do que se ouve. Bem, pode ser um som meio entediante para algumas pessoas. O duo sueco A Swarm of the Sun não tem pressa em evoluir suas canções. E não tem pena do coração do ouvinte. Triste nas melodias, triste nas poucas palavras, triste até quando a canção está prestes a atingir seu auge. Tamanha melancolia é enriquecida pela forma que a música, por meio de sua estrutura, vai se enterrando aos poucos na consciência do ouvinte. Particularmente, achei o trabalho parecido com as épocas mais soturnas do Anathema, ou uma variante menos metálica do Crib45. E a qualidade é equiparável. 




4) Khemmis - Absolution
Stoner Metal / Stoner Rock / Doom / Sludge

Uma confissão: antes de fazer meu próprio ranking de 2015, eu dei uma espiada em listas já publicadas pela internet para roubar ideias. Em algumas dessas listas, encontrei este álbum, da banda americana Khemmis, um nome desconhecido até então. Nem precisei terminar de ouvir os poucos 40 minutos de música para anotar o nome para a minha lista. Misturar o grave Doom típico de Black Sabbath com a acidez do Stoner é uma receita que já atingiu um quarto de século de idade, mas continua surpreendente. "Absolution" conquista progressivamente o ouvinte com suas cordas perseverantes e seus vocais carregados de emoção, deixando, ao fim, uma mente abalada. Espero que esses caras gravem mais álbuns.



3) Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo
MPB / Samba / Samba Rock / Jazz


"A Mulher do Fim do Mundo" já tem pinta de melhor álbum brasileiro do ano. Aqui no Pignes, ele já apareceu mais de uma vez. Não é por menos. O disco é chocante, tanto pela sua musicalidade quanto pelo seu teor. Em relação à musicalidade, o grande destaque é a voz de Elza, que está próxima aos 80 anos de idade, abrindo o álbum com uma curta canção a cappella. Buscando inspiração no samba, no rock e no jazz, o instrumental é simples, mas cheio de detalhes, dando formato nítido às canções. Bem ao estilo da MPB executada por nomes clássicos, como Chico e Caetano

Apreciar a música popular brasileira é mais gotoso quando se insere a temática da música no contexto a que ela se refere. Talvez seja esse o motivo maior (sem desmerecer os demais) de tanta admiração ao álbum de Elza. As letras aqui apresentadas representam o Brasil de 2015 de forma ousada e poética. Vide "Maria da Vila Matilde - Porque Se a da Penha É Brava, Imagine a da Vila Matilde", que é o principal "hit" do álbum. Como se deduz pelo nome, a canção trata da resistência feminina à violência doméstica de forma super bem humorada. Tema de redação do Enem e motivo de tretas no Facebook, o assunto não poderia ser mais atual (é bom ver a música fazendo sua parte para enterrar o que há de mais sujo no machismo!). Sexualidade é abordada sem frescuras em "Pra Fuder", e transexualidade também, em "Benedita". Pela forma descontraída que os versos são cantados - com auge em "Firmeza" - é possível sentir a inspiração das dificuldades da pobreza, especialmente no cenário carioca. Finalizando a cappella, assim como começou, o álbum termina com uma homenagem à figura da mãe. E o resultado é isso: a manifestação da mulher negra de origem pobre, numa arte que aborda sua força enfrentando a realidade. 

O disco foi composto por um time de músicos reconhecidos no meio contemporâneo da música nacional. Confesso que essa separação entre compositor e intérprete, muito comum na música brasileira, é uma coisa que me incomoda um pouco. Mas neste caso, Elza fez uma performance tão intensa, que deu vida a canções que certamente não seriam tão vivas de outra forma. 

A presença deste álbum nesta lista visa representar toda a música brasileira criada em 2015. Quero citar a banda de meus conterrâneos goianos, Boogarins, que lançou o lisérgico "Manual", álbum que talvez seja o que mais me agradou. "Trovões a Me Atingir", de Jair Naves também revelou muita criatividade. Gal Costa e Ana Cañas também representaram com gosto o gênero feminino. E todos os musicistas espalhados pelo underground, que sempre nos encantam nos shows, nos bares e nos becos desse Brasil.





2) Pond - Man It Feels Like Space Again
Psychedelic Rock / Indie Rock



Se eu pudesse eleger um estilo musical para representar a última década, eu escolheria esse que revive o Rock psicodélico misturado com outros estilos. Não sei qual é o melhor rótulo para a cena, mas já li "Neo Neo Psychedelic" em algum lugar e achei engraçado. Apesar de não haver muitas bandas além de Tame Impala alcançando grande sucesso fazendo esse tipo de música, não é difícil identificar álbuns primorosos lançados de 2005 para cá. Se alguém se interessar, pode procurar por nomes como: Blues Pills, Kadavar, Colour Haze, Samsara Blues Experiment, The Flying Eyes, Earthless, Goat e por aí vai. Dá pra encontrar esse som surgindo no Stoner, no Doom, no Blues, no Pop, no Eletrônico e até no Metal extremo. 

Bem, esqueça essas bandas que citei acima. A banda que aqui apresento não tem nada de Stoner. Aproxima-se mais a algo como MGMT. Pond é uma banda coligada à famosa Tame Impala, tendo membros em comum com a mesma e tendo o popstar Kevin Parker como produtor. "Man It Feels Like Space Again" é o álbum mais recente lançado pela banda. O encarte colorido já passa uma ideia da brisa, com desenhos detalhados e um dinossauro alegre por lembrar dos bons tempos no espaço ao beber uma água limpa. Fora esse encarte legal, que lembra "Oh My Gawd!!!" do The Flaming Lips, não há nada de muito extraordinário no álbum. É genérico e imaturo, admito. Mas é extremamente agradável. Com a proposta de ser bem leve (bem mais leve do que os antecessores da própria banda) e de fácil assimilação, Pond montou um conjunto de canções com diversos feelings, melodias agradáveis, riffs e linhas de baixo marcantes, um infinito de sintetizadores, vozes viajadas, etc. Enfim, uma agradável viagem ao espaço. 

Assim como fiz anteriormente, escolhi este álbum para figurar nesta lista pois ele engloba muito do que eu acho mais interesse nessa psicodelia, mais do que muitos outros álbuns lançados em 2015, e por não ser ter ligação com o Doom, que será tratado abaixo. Impossível evitar a comparação, por exemplo, com Currents, do Tame Impala. Um álbum mais coeso, com certeza um dos grandes lançamentos do ano. Mas não contém a deliciosa psicodelia que Pond carrega. E é disso que estou falando! Deliciosas psicodelias! Acredito que essa onda ainda não passou, e muitos ótimos lançamentos marcarão o estilo. 





1) Swallow The Sun - Songs From The North I, II & III
Doom Metal / Melodic Death Metal / Progressive Metal



Duas horas e meia de Doom Metal, lento e melancólico. Se "Songs from the North" não merece medalha de ouro pela criatividade, merece pela audácia. Os finlandeses já tinham lançado cinco álbuns, alguns dos quais já passaram aqui pelo Ignes Elevanium. Foi aqui que conheci a banda, inclusive. Nesses álbuns, conseguiram conquistar muita gente com seu Metal melódico e progressivo. Eu fui conquistado, inclusive. Me assustei quando descobri que tinham lançado um álbum triplo em 2015. É muita música para um estilo pouco dinâmico. Mas o resultado é surpreendente. Com uma sonoridade orgânica, a música de "Songs From the North" vai se reciclando e encantando o ouvinte a cada nova fase, ao mesmo tempo que cava a alma com os longos trechos instrumentais. 

Para atingir um ponto perfeito entre um som autêntico, dentro de seu estilo, e um som acessível, a banda utilizou uma dinâmica sutil e interessante. Cada uma das três partes possui uma sonoridade predominante. O primeiro disco retoma o que o que já era conhecido nos álbuns anteriores: alternância calculada entre elementos mais pesados e passagens grudentas, com a característica melódica sempre presente. A faixa "Lost & Catatonic" é um bom exemplo, com forte groove nas guitarras e um refrão digno de música pop. Na segunda parte, a predominância é de canções acústicas e mais leves, passando uma sensação de maior conforto. Destaque para a faixa título, "Songs From the North", cantada com vocal feminino em finlandês. Por fim, a parte 3 é a parte do peso. Para tirar o ouvinte da calma da parte anterior, um puro Doom Metal, com guturais graves, guitarras pesadas e arrastadas. É um desfecho tão angustiante quanto cativante. Dentro de cada canção, há também a tradicional dinâmica da banda, abusando do uso dos mais diversos tipos de vozes e de constantes alterações de tempo. 

Mais uma vez, a listagem deste álbum é, acima de tudo, representativa. Antes de chegar a uma lista final de 10 álbuns, eu fiz uns esboços. De repente, percebi que eu não estava fazendo a lista dos "Melhores discos de 2015". Eu estava fazendo a lista dos "Melhores discos DE DOOM METAL de 2015". Não sei se o problema é comigo, ou se esse estilo realmente foi agraciado neste ano. Sei que foi uma enxurrada de releases que mereceriam estar aqui e não estão, pois eu faço questão de ser democrático. :)

Para citar outros álbuns incríveis sob a tag Doom Metal lançados em 2015, vou começar por três bandas das antigas que se mostraram vivíssimas: Paradise Lost, com o magnífico "The Plague Within", demonstrando vontade de fazer o típico som pesado com excelentes bases de guitarra; My Dying Bride, que também deu atenção especial para os elementos de Death Metal em "Feel the Misery", sem dispensar a clássica angústia passada pelos caras; e Sovran, do Draconian, com vocalista nova, e um resultado arrasador, que com certeza foi um dos meus discos preferidos. Os portugueses do Moonspell também acertaram com "Extinct", com uma pegada mais agitada. Com uma pegada psicodélica, eu recomendaria "The Night Creeper" do Uncle Acid & the Deadbeats.

"Songs From the North" é o grande representante disso tudo. Um trabalho extremamente criativo de uma banda relativamente nova, lançado em formato triplo para ter pinta de obra prima do grupo, num ano em que o estilo está lotado de coisa boa. Emocionante! 



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